Buenos Aires, Argentina – Centenas de pessoas ocuparam o centro de Buenos Aires em uma quinta-feira para contestar as políticas de corte orçamentário do presidente Javier Milei direcionadas ao setor de ensino. O ato público reuniu docentes, acadêmicos e alunos que exigiam a aplicação integral da Lei de Financiamento Universitário, norma já referendada pelo Parlamento, mas mantida em situação de impasse pelo governo federal a despeito de determinações judiciais contrárias.
O ato público foi encerrado antes da previsão inicial em decorrência de distúrbios pontuais envolvendo o efetivo policial, episódio que deixou feridos. Professores, pesquisadores, dirigentes acadêmicos e servidores técnico-administrativos acabaram atingidos por gás lacrimogêneo lançado durante a dispersão.
A Universidade de Buenos Aires manifestou repúdio aos atos de violência e pontuou que os desordeiros não refletiam a essência pacífica da mobilização. A administração da instituição classificou a atuação policial como desproporcional e defendeu a responsabilização individual dos envolvidos nos confrontos.
Com uma comunidade superior a 300 mil alunos, a Universidade de Buenos Aires acumula uma defasagem de 30% nos salários durante a gestão atual. Protestos com pautas idênticas também foram registrados simultaneamente nos municípios de Rosário e Córdoba.
O Poder Judiciário argentino já havia concedido uma liminar em mandado de segurança coletivo para ordenar a execução imediata da lei de financiamento. Na ocasião, o juiz federal Martín Cormick considerou inconstitucional o decreto empregado pela administração presidencial, apontando que o veto carecia de respaldo legal e ignorava a maioria qualificada obtida no Congresso.










