Bogotá, Colômbia – Bogotá, Cali, Medellín, Bucaramanga e Pereira foram palco de intensas manifestações nesta quarta-feira (14). O movimento, que reuniu milhares de cidadãos, surgiu como resposta direta a uma recente decisão do presidente Abelardo de la Espriella. Há apenas dois meses no comando do país, o mandatário assinou um decreto que concede autorização para a dispersão de protestos e amplia, de forma expressiva, o contingente policial nas principais cidades colombianas.
Entidades da sociedade civil e lideranças da oposição classificaram a determinação, identificada como decreto 1.525, como uma manobra para silenciar vozes críticas e limitar preventivamente o direito constitucional de reunião. A justificativa oficial, contudo, aponta para a necessidade de salvaguardar a ordem pública. O texto legal permite que as forças de segurança intervenham ativamente contra o uso de explosivos, armas de fogo e artefatos incendiários durante as mobilizações.
A pauta das ruas revelou insatisfações que transcendem a nova política de segurança. O aumento do custo de vida e o receio quanto ao desmonte de programas sociais foram pilares das críticas. Além disso, o clima de tensão no país foi agravado pela percepção de uma escalada de violência sob a gestão de Espriella. Setores específicos também trouxeram demandas urgentes: a Federação Colombiana de Educadores exigiu investimentos na educação pública e a reconstrução de escolas danificadas pelos terremotos ocorridos em agosto.
Representantes de comunidades indígenas e camponesas também integraram os atos, denunciando projetos que ameaçam a integridade de terras ancestrais. Enquanto a oposição, encabeçada pelo ex-presidente Gustavo Petro, evitou quantificar o público presente, o Palácio de Nariño reconheceu a participação de 62 mil pessoas. Espriella classificou o grupo como uma pequena parcela da população, argumentando que a vasta maioria dos colombianos almeja progresso e estabilidade econômica.
O presidente reiterou que a liberdade de expressão não confere salvo-conduto para ataques a bens públicos ou privados, agressões ou ameaças a trabalhadores. Para ele, a presença de 62 mil pessoas, embora significativa, representa uma minoria que, na visão do governo, busca interromper o desenvolvimento do país. O executivo reforçou sua linha de atuação com o envio de outras propostas ao Parlamento, entre elas, um estatuto antiterrorista.
Apesar da retórica oficial sobre o caráter pacífico das manifestações, a recepção do decreto sinaliza um período de alta instabilidade política. O descontentamento social, que ganha corpo nas metrópoles, coloca em xeque a estratégia de controle da administração atual e abre uma discussão profunda sobre os limites entre a manutenção da segurança nacional e a preservação das garantias fundamentais na Colômbia.






