Brasília (DF) – A eliminação precoce da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 ecoou com força no Congresso Nacional nesta segunda-feira (6). Para o senador Eduardo Girão (Novo-CE), a derrota por 2 a 1 contra a Noruega, ocorrida no domingo (5) em Nova Jersey, nos Estados Unidos, não foi mero acaso do esporte. O parlamentar aponta o resultado como o reflexo mais visível de uma crise institucional e social provocada pela onipresença das casas de apostas esportivas, as chamadas bets, no futebol do país.
Em pronunciamento realizado por meio de transmissão remota, o senador fez um apelo enfático para que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) reveja com urgência a sua atual política de patrocínios comerciais. Além de sugerir restrições rígidas à atuação dessas empresas de apostas em território nacional, Girão alertou para as graves consequências sociais que ultrapassam as quatro linhas do campo. Segundo ele, o avanço desse mercado tem provocado o endividamento generalizado de cidadãos, o fim de casamentos, a destruição de núcleos familiares e a perda de empregos.
Identidade e comando técnico em xeque
O parlamentar também aproveitou a oportunidade para questionar os rumos da comissão técnica da Seleção. Atualmente sob a liderança do treinador italiano Carlo Ancelotti, a equipe deveria, na visão de Girão, voltar a ser comandada por um técnico brasileiro. Ele sustentou que o país dispõe de profissionais com plenas qualificações para assumir a responsabilidade e citou Filipe Luís como um exemplo viável para a função. Para o senador, além da reconhecida competência profissional, o ex-jogador se destaca por sua postura firme de não realizar publicidade para empresas de apostas esportivas.
Críticas ao STF e debate sobre saúde pública
Ainda na mesma sessão parlamentar, Girão redirecionou seu discurso para um tema que vem dividindo opiniões no Judiciário nacional. O senador criticou abertamente a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que resultou na suspensão da Resolução nº 2.378 do Conselho Federal de Medicina (CFM).
A referida norma médica proibia de forma expressa a realização do procedimento de assistolia fetal em gestações com tempo de evolução superior a 22 semanas. Pela legislação brasileira em vigor, a interrupção da gravidez é permitida apenas em cenários muito bem delimitados: quando a gestação é fruto de estupro, quando há risco de morte para a gestante ou em diagnósticos de anencefalia fetal.
Ao contestar a decisão que suspendeu a restrição, de autoria do ministro Alexandre de Moraes, Girão descreveu o procedimento de assistolia de forma severa, destacando a aplicação de cloreto de potássio diretamente no coração do feto vivo. O senador argumentou que tal método de intervenção é considerado doloroso ao ponto de ser vedado até mesmo na prática de eutanásia de animais domésticos, classificando a liberação do ato como um erro de graves proporções éticas e humanas.













