Caracas, Venezuela – O impacto dos dois terremotos que sacudiram o território venezuelano no dia 24 de junho continua a escalar. Nesta segunda-feira, 6 de julho, o governo atualizou o balanço da tragédia, confirmando 3.535 mortes. As regiões de Caracas, La Guaira e toda a extensão costeira próxima permanecem no epicentro do caos, tentando mensurar a dimensão do que foi perdido.
Os números refletem um país em choque. São mais de 16,7 mil feridos contabilizados e quase 18 mil pessoas que perderam o teto. Deste contingente, 13 mil sobreviventes foram realocados em 80 abrigos provisórios montados às pressas. Enquanto o solo ainda parece instável, o esforço de resgate atingiu a marca de 6,4 mil vidas salvas e mais de 25 mil atendimentos médicos realizados.
A paisagem urbana foi profundamente alterada. Pelo menos 856 estruturas foram atingidas pela força dos tremores, com 190 edifícios vindo abaixo por completo. Para tentar conter o colapso logístico, uma força-tarefa composta por quase 30 mil agentes de segurança, 28 mil voluntários e um contingente de quatro mil resgatistas internacionais circula pela zona de desastre. A distribuição de mantimentos, que até aqui soma 9,6 mil toneladas de comida e oito milhões de litros de água, tenta suprir a escassez imediata enfrentada pelos sobreviventes.
A realidade em La Guaira, a localidade mais sacrificada pelo desastre, é marcada pelo silêncio das valas comuns. Nesta segunda-feira, equipes de perícia trabalhavam na abertura de covas e no transporte de caixões. A crueza do momento é registrada em sepulturas marcadas apenas por números, uma tentativa burocrática de organizar a perda massiva de vidas em meio à terra revirada.
A gestão do desastre, contudo, é palco de um embate político crescente. A presidente em exercício, Delcy Rodríguez, sustentou que a resposta estatal foi adequada e anunciou a criação de uma unidade militar dedicada a emergências futuras. Nas ruas, a percepção da população é distinta. Moradores afetados têm manifestado descontentamento aberto, classificando a reação do Estado como tardia e insuficiente diante da magnitude da catástrofe.
Enquanto a tensão política aumenta, a cooperação internacional tenta preencher as lacunas do socorro. As Nações Unidas confirmaram que o fluxo de operações de ajuda está sendo ampliado, buscando maior sintonia com as autoridades locais para levar suprimentos a quem mais precisa. O evento já se consolida nos registros oficiais como um dos episódios mais devastadores da história recente venezuelana, deixando um rastro de destruição que exigirá anos de reconstrução e um difícil processo de luto coletivo.











