Espírito Santo (ES) – Os números de 2026 desenham uma nova curva para a segurança pública no Espírito Santo. Ao fechar o balanço dos primeiros cinco meses do ano, o Estado contabilizou 321 homicídios. O dado marca uma retração de 3,3% frente aos 332 registros verificados no mesmo recorte de 2025. Para encontrar um patamar tão baixo desde o início da série histórica, em 1996, é preciso olhar para três décadas atrás.
Maio, isoladamente, serviu para consolidar essa tendência. Com 64 mortes violentas, o mês igualou o seu próprio recorde histórico de menor incidência, repetindo o desempenho obtido no mesmo período do ano anterior. O dado ganha contornos mais nítidos ao observarmos a capilaridade geográfica: em 57 dos 78 municípios capixabas, a contagem de homicídios ficou zerada. Isso significa que mais de 73% do território do Estado atravessou o mês sem uma única notificação de assassinato.
O governador Ricardo Ferraço avalia que os resultados confirmam a eficácia das apostas em tecnologia e inteligência policial, além do esforço de valorização dos agentes da área. Segundo o Executivo, a manutenção desses indicadores depende de uma vigilância diária e técnica, mantendo o foco em equipamentos modernos para sustentar o declínio na criminalidade.
Quando a lupa se volta para as divisões regionais, o cenário revela discrepâncias importantes. A Região Sul desponta com o recuo mais acentuado: uma queda de 40%. Foram 18 ocorrências no acumulado até maio, uma marca significativamente inferior aos 30 registros do ano passado. O Noroeste também respira melhor, com um decréscimo de 15,1%, caindo de 53 para 45 casos.
Nem todas as áreas, porém, acompanharam o ritmo. A Região Metropolitana experimentou uma oscilação de 1,3% para cima, enquanto a Região Norte teve uma leve queda de 1,3%. Já o mapeamento na Região Serrana exige cautela extra das autoridades, contabilizando oito mortes a mais no comparativo acumulado do período.
Essa estrutura de monitoramento é operada sob a lógica do Programa Estado Presente em Defesa da Vida. A estratégia baseia-se no ajuste fino das táticas conforme as especificidades de cada região, intercalando medidas preventivas e ações de repressão qualificada. Para o secretário de Segurança Pública, Leonardo Damasceno, o modelo reflete um compromisso de longo prazo, onde o direcionamento de recursos e investigações busca sempre as áreas de maior sensibilidade geográfica, consolidando o controle sobre a mancha criminal do Estado.













