Brasília (DF) – O impacto das recentes tarifas anunciadas pela administração do presidente Donald Trump contra o setor produtivo nacional mobilizou o Congresso. A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado assumiu o papel de centralizar as queixas e os temores dos empresários que preveem perdas severas caso as medidas entrem em vigor da forma como foram desenhadas.
Nesta terça-feira (2), o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que preside o colegiado, adotou um discurso de contenção estratégica. Em vez de uma reação imediata de revide, a proposta do parlamento é utilizar o tempo que ainda resta — algumas semanas — para desenhar uma defesa técnica antes que Washington tome sua decisão final, prevista apenas para meados de julho.
Para o parlamentar, a resposta brasileira exige equilíbrio. Ele defende que o país evite tanto o silêncio passivo quanto uma postura agressiva sem planejamento, que poderia acabar prejudicando mais o próprio mercado interno, desde o chão de fábrica até o consumidor final. O foco agora é esgotar as vias diplomáticas e parlamentares antes de cogitar qualquer escalada de retaliação comercial.
Articulação em busca de números
O sucesso dessa operação de salvaguarda depende, fundamentalmente, do que as empresas conseguirem provar sobre os danos potenciais. Nelsinho Trad foi direto ao solicitar aos empresários e entidades de classe que enviem o detalhamento técnico: código tarifário dos itens, contratos de exportação, análise de riscos financeiros e possíveis mercados alternativos. Sem esses dados concretos, o poder de pressão da comissão em Brasília, que já mantém contato com o Itamaraty e com o vice-presidente Geraldo Alckmin, perde tração.
A preocupação não é gratuita. O sistema adotado pelos americanos para impor essas barreiras ainda prevê uma etapa de consulta pública e uma nova rodada de audiências. É exatamente nessa janela que o Senado quer atuar, municiado por informações que demonstrem, com precisão, onde as propostas atuais falham ou onde as exceções previstas pelo governo Trump não são suficientes para blindar o fluxo comercial.
Ainda paira a dúvida sobre a necessidade de uma ofensiva diplomática mais próxima. Assim como aconteceu no ano anterior, não está descartada a possibilidade de membros da comissão embarcarem para os Estados Unidos, numa tentativa de negociar pessoalmente o abrandamento dessas restrições. No entanto, tudo segue condicionado à real dimensão do impacto que será mapeado nos próximos dias.
O desafio é filtrar quais setores estão de fato ameaçados por essa ofensiva protecionista. Por ora, o gabinete de Nelsinho Trad segue coletando os relatos setor por setor, tentando transformar as reclamações individuais em uma única voz técnica, capaz de representar o peso real da economia brasileira perante os negociadores estrangeiros.












