Laranjeiras (SE) – A retomada de operações de uma fábrica de fertilizantes em Sergipe serviu de cenário para um duro pronunciamento político na última sexta-feira (29). No município de Laranjeiras, mais precisamente na comunidade de Pedra Branca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a agenda pública na unidade da Fafen-SE para expor o que chama de desejo pessoal: a reversão das privatizações de grandes companhias brasileiras. Eletrobras e BR Distribuidora lideram essa lista de desejos de reestatização.
A fábrica que sediava o evento estava desativada e agora volta a produzir insumos para o setor agrícola nacional, um movimento que o Executivo tenta carimbar como símbolo de reconstrução do patrimônio nacional. No entanto, o tom do discurso presidencial na fábrica sergipana oscilou rapidamente da celebração industrial para um inconformismo nítido em relação à venda de ativos públicos ocorrida em gestões passadas.
O argumento central de Lula baseou-se no questionamento técnico dos gestores que conduziram as privatizações anteriores. Para ele, entregar o controle de estatais ao mercado financeiro e a grupos privados traduz uma ineficiência de gestão de quem ocupava o poder. Sob essa ótica, o desmonte e a alienação das empresas públicas ocorrem justamente pela incapacidade das chefias em coordenar equipes humanas e administrar de forma sustentável recursos que pertencem ao Estado.
Mesmo alimentando o projeto de devolver o controle de companhias consideradas estratégicas às mãos do governo federal, o presidente admitiu que há um abismo pragmático entre a vontade política e a realidade dos contratos de desestatização. Há obstáculos financeiros pesados e regras contratuais duras desenhadas de forma a inviabilizar o caminho de volta.
No caso da Eletrobras, o chefe do Executivo criticou duramente o modelo desenhado para a desestatização da gigante do setor elétrico, classificando a transação como uma manobra canalha. O incômodo se deve aos dispositivos contratuais que encarecem a recompra de forma abusiva, fazendo com que uma eventual retomada pelo Estado custe o triplo do valor comercial padrão.
A situação da BR Distribuidora também recebeu críticas contundentes e foi rotulada como uma venda sórdida. Lula lembrou que, apesar de desvinculada do controle público, a marca da Petrobras continua estampando os postos de combustíveis por todo o território nacional. Reverter esse processo societário, no entanto, é uma meta de longo prazo, já que a recompra das ações por parte da União só é legalmente permitida a partir de 2029.
Por fim, a fala em Sergipe acena diretamente para a base histórica de apoio do governo. Ao apontar que muitos administradores simplesmente optam por vender os bens da nação por falta de competência para lidar com o chão de fábrica e negociar com os sindicatos, Lula reforça a divisão clara de caminhos de desenvolvimento. O sonho da reestatização, contudo, esbarra na robusta barreira jurídica e fiscal montada nos últimos anos.













