Toronto, Canadá – A possibilidade de um acordo de livre comércio entre Mercosul e Canadá ganhou um impulso considerável com a décima rodada de negociações, realizada entre 25 e 29 de maio em Toronto. As discussões, que visam aprofundar os laços econômicos, consolidaram avanços significativos desde o último encontro em abril, sinalizando um caminho promissor para a conclusão do tratado.
O pano de fundo para essas conversas é o crescimento tímido, porém resiliente, do intercâmbio comercial entre o Brasil e o Canadá. No ano passado, o fluxo atingiu US$ 10,4 bilhões, com exportações brasileiras registrando um recorde histórico de US$ 7,3 bilhões – um salto de 14,8% em relação ao ano anterior. Esse cenário, em parte, reflete uma busca mútua por diversificação e fortalecimento das parcerias, especialmente em um contexto de instabilidades comerciais globais.
Durante a semana em Toronto, grupos técnicos mergulharam em tópicos cruciais como comércio de bens e serviços, incluindo o setor financeiro. Questões como regras de origem, propriedade intelectual, entrada temporária de pessoas para negócios, salvaguardas bilaterais e desenvolvimento sustentável também estiveram na pauta. O ministro de Comércio Internacional do Canadá, Maninder Sidhu, chegou a se reunir com os negociadores-chefes do Mercosul, evidenciando a seriedade do compromisso canadense.
Cinco capítulos do acordo já avançaram para a fase final de negociação. A expectativa é de que novos encontros ainda no primeiro semestre deste ano permitam o fechamento definitivo do tratado. Esse ritmo acelerado dialoga com a estratégia do Mercosul, atualmente sob presidência paraguaia, de fortalecer sua presença em blocos comerciais e acordos bilaterais. Essa prioridade se manifesta também nos avanços com a União Europeia, cujo acordo entrou em vigor em maio, e nas discussões com países latino-americanos como Chile, Equador, Colômbia e Peru, além de EFTA e Emirados Árabes Unidos.












