Brasília (DF) – Uma viagem de bastidores a Washington e um aperto de mãos com Donald Trump abriram um novo flanco de desgaste político entre a oposição e o Palácio do Planalto. A tentativa dos parlamentares Eduardo e Flávio Bolsonaro de fazer com que o governo dos Estados Unidos classifique as facções Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas provocou uma forte reação de Brasília. Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira, o governo federal subiu o tom, classificando a iniciativa como uma afronta à soberania do país.
O recado é direto: as decisões que envolvem o combate ao crime em solo nacional pertencem unicamente às instituições brasileiras. Na visão do Planalto, qualquer tentativa de intervenção externa sob o pretexto de cooperação é inaceitável. O país mantém um enfrentamento diário e implacável contra essas facções e milícias, que hoje espalham o medo em áreas onde vivem milhões de famílias.
Há também uma distinção jurídica e conceitual que separa a atuação do crime organizado brasileiro da dinâmica do terrorismo internacional. Enquanto grupos terroristas globais agem movidos por causas ideológicas, religiosas ou políticas, organizações como o Comando Vermelho e o PCC operam por pura lógica de mercado — buscando o lucro por meio do tráfico de drogas e armas. Misturar essas duas realidades, sustenta a manifestação, é uma simplificação que deforma o cenário real da segurança pública brasileira.
Falsos patriotas
A reação governista não poupou adjetivos à conduta dos filhos de Jair Bolsonaro. O documento oficial classifica o lobby feito pela dupla nos Estados Unidos nesta semana como deplorável e vê na postura uma traição aos interesses nacionais. Relembrou-se também que este não é um episódio isolado de interferência prejudicial conduzida pela oposição no exterior, citando a defesa do “tarifaço”, que já havia gerado prejuízos significativos à economia do país. Para as autoridades federais, a segurança pública da população acabou virando moeda de troca para manobras de falsos patriotas que pedem a interferência de potências estrangeiras nos negócios internos do país.
O Estado brasileiro reforça que o combate ao crime já é tratado como prioridade nacional por meio de ações práticas. Uma legislação de enfrentamento a facções e milícias foi aprovada recentemente, pavimentando um programa estratégico que mira as operações criminosas em toda a sua cadeia — desde o braço armado que atua nas esquinas até os esquemas financeiros controlados pelo alto escalão do crime.
Parcerias com agências internacionais continuam sendo muito bem-vindas, desde que pautadas pelo respeito mútuo. No entanto, o posicionamento oficial deixa claro que medidas unilaterais tomadas fora do país não servirão de pretexto para desestabilizar a soberania ou golpear a economia nacional.












