Artibonite, Haiti – O cenário de insegurança no Haiti atingiu um patamar crítico nos primeiros três meses deste ano, com um saldo de 1,6 mil mortes. A região de Artibonite, no centro do país, tornou-se o epicentro de uma escalada de ataques coordenados desde o final de março, focados especialmente em guardas comunitários que tentam resistir ao avanço do crime organizado.
Relatórios indicam que 27% das vítimas foram alvos diretos da brutalidade das gangues, que utilizam a violência sexual como ferramenta de controle territorial. Mulheres e adolescentes, na faixa dos 12 aos 17 anos, são as principais vítimas desse padrão de exploração sistemática, segundo monitoramento do Binuh, que alerta para o uso do terror como estratégia de submissão da população local.
O quadro se agrava com a atuação das forças de segurança estatais. Mais de 60% das vítimas registradas no período derivam de operações policiais que contam com apoio de drones e empresas militares privadas. Sob denúncias de execuções sumárias por agentes, a ONU pressiona o governo haitiano e a comunidade internacional para que priorizem o combate ao tráfico de armas e a reforma do sistema judiciário, garantindo que a segurança pública não atropele os direitos humanos.








