Lima, Peru – O Peru finalmente encerrou o impasse que durou mais de um mês e definiu os nomes que disputarão a presidência no segundo turno, marcado para o dia 7 de junho. O país, que busca estabilidade após uma sucessão de crises que resultou em nove presidentes na última década, também renovou sua composição legislativa, elegendo 130 deputados e 60 senadores para o próximo quinquênio.
A disputa decisiva colocará frente a frente a candidata de direita Keiko Fujimori, que obteve 17,18% dos votos, e o representante da esquerda Roberto Sánchez Palomino, que alcançou 12,03%. O cenário foi apertado, com Sánchez superando o ultraconservador Rafael Aliaga por uma margem estreita de apenas 21 mil votos, em um pleito que mobilizou mais de 27 milhões de eleitores e contou com a participação de 35 postulantes ao cargo máximo do executivo.
Os bastidores da contagem
O processo eleitoral foi marcado por instabilidades logísticas e tensões políticas. Em Lima, atrasos em centros de votação geraram desconforto, enquanto o candidato derrotado Rafael Aliaga chegou a denunciar supostas fraudes, alegações que não encontraram amparo em provas. Missões de observação da União Europeia e da Organização dos Estados Americanos (OEA) acompanharam o pleito e descartaram irregularidades sistêmicas, atestando a integridade da votação.
A proclamação oficial dos resultados pelo Jurado Nacional de Eleições está prevista para este domingo, dia 17, após uma recontagem inédita. A autoridade eleitoral foi firme ao rejeitar pedidos de nova votação, mantendo o curso do processo. O país, que faz fronteira com o Brasil em uma extensão de 2,9 mil quilômetros, observa com atenção o desfecho desta corrida, que impacta diretamente a quarta nação mais populosa da América do Sul.
Trajetórias e propostas
Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, enfrenta um desafio persistente: superar a rejeição associada ao legado do pai, condenado por violações de direitos humanos. Esta é a quarta vez que ela chega ao segundo turno, tendo sido derrotada nas três tentativas anteriores, em 2011, 2016 e 2021. Sua plataforma atual sinaliza uma aproximação estratégica com os Estados Unidos, o que levanta questionamentos sobre o futuro dos investimentos chineses no Peru, especialmente no Porto de Chancay.
Do outro lado, Roberto Sánchez aposta em uma agenda de transformações estruturais. Ex-ministro de Pedro Castillo, ele defende a nacionalização de recursos naturais e a convocação de uma nova constituinte. Psicólogo e deputado pelo partido Juntos Pelo Peru, Sánchez tenta se desvencilhar de uma acusação criminal recente. O Ministério Público peruano solicitou cinco anos e quatro meses de prisão por supostas irregularidades nas contas partidárias entre 2018 e 2020, denúncia que o candidato nega categoricamente, alegando que o caso já havia sido arquivado pela justiça.
Um histórico de instabilidade
O ambiente político peruano permanece volátil desde a vitória de Pedro Castillo em 2021. O professor rural, que surpreendeu o país ao vencer Fujimori, acabou destituído e preso após uma tentativa de dissolver o Parlamento, recebendo uma condenação de 11 anos em novembro de 2025. A sucessão de Dina Boluarte, marcada pela repressão violenta a protestos, e a posterior deposição da presidente pelo Congresso, culminaram em uma sucessão de líderes interinos, incluindo José Jerí e José María Balcázar Zelada, evidenciando a influência decisiva do Parlamento no destino político da nação.







