Venda Nova do Imigrante (ES) – A velocidade com que as águas do planeta estão subindo e aquecendo surpreendeu a comunidade científica. Entre os anos de 2013 e 2023, o nível médio global dos oceanos subiu a uma taxa anual de 4,3 milímetros — um salto considerável em comparação com os 3,2 milímetros registrados nas duas décadas anteriores. A constatação faz parte do terceiro ciclo da Avaliação Mundial dos Oceanos (WOA-3), documento divulgado pela Organização das Nações Unidas nesta segunda-feira, dia 8.
O diagnóstico é o mais amplo já feito desde o início da série histórica, em 2017. Para traçar esse panorama, mais de 550 especialistas de 86 países cruzaram dados coletados principalmente entre 2018 e 2023. O resultado mostra que as barreiras naturais que regulam o clima do planeta estão no limite.
Pressão extrema no litoral brasileiro
As consequências dessa transformação global batem diretamente na costa do Brasil. Cidades litorâneas enfrentam erosão severa e ressacas frequentes, enquanto o setor pesqueiro lida com a escassez provocada por águas mais quentes no Atlântico tropical. Para o pesquisador Ronaldo Christofoletti, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e um dos cientistas brasileiros que assinam o estudo, eventos climáticos que antes ocorriam de forma esporádica viraram rotina.
Plástico e colapso da fauna marinha
A presença de lixo plástico nos ecossistemas marinhos escalou de forma alarmante. Se o levantamento anterior apontava cerca de 1,4 mil espécies impactadas por esses resíduos, o novo inventário identificou danos a mais de 4 mil espécies. No território nacional, esse cenário se agrava devido a problemas crônicos de saneamento básico e descarte incorreto de lixo urbano, que transformam rios e praias em canais de poluição.
A segurança alimentar global também caminha para uma zona de risco. O volume de estoques de peixes considerados biologicamente sustentáveis caiu de 64,6% em 2019 para 62,3% em 2021. Nas regiões polares, o degelo acelerado desde 2016 atingiu marcas históricas entre os anos de 2022 e 2025, alterando a salinidade da água e desregulando correntes marinhas profundas que determinam o clima em todo o globo.













