São Luís (MA) – O ciclo das eleições municipais de 2024 no Maranhão tornou-se o alvo principal de uma ofensiva policial deflagrada na manhã desta quarta-feira, 10 de abril. Agentes da Polícia Federal saíram às ruas para desmantelar duas organizações criminosas especializadas em subtrair recursos públicos de prefeituras para injetá-los, de forma clandestina, em candidaturas políticas.
Logística do crime
A engrenagem do esquema era montada sobre contratos de prestação de serviços firmados entre empresas de fachada e administrações municipais. O dinheiro saía dos cofres públicos, caía nas contas dessas companhias e, pouco depois, era redistribuído. A manobra contava com a colaboração ativa de um funcionário de uma agência bancária em São Luís, peça-chave para garantir a circulação dos valores sem disparar alertas imediatos dos órgãos de controle.
O volume financeiro era vultoso. As apurações indicam que a movimentação atingia picos de atividade justamente nas semanas que antecediam a votação. Ao todo, as transações sob suspeita alcançam a marca de R$ 10 milhões. Apenas um dos braços investigados pelos federais foi responsável por injetar aproximadamente R$ 2 milhões em repasses ilícitos.
A lavagem e a organização
Para ocultar a origem do montante, os criminosos utilizavam contas de terceiros, os chamados laranjas, que recebiam os saques realizados pelas empresas contratadas. A investigação revelou um nível de organização detalhista: os policiais encontraram planilhas de caixa dois e arquivos que descreviam toda a logística de entrega do dinheiro em espécie. Havia até um monitoramento constante sobre a presença de viaturas policiais nos arredores da agência bancária usada pela quadrilha.
O impacto político do esquema já é mapeado. Até o momento, 15 candidatos foram identificados como beneficiários diretos ou destinatários dos recursos desviados, que eram pulverizados entre servidores para evitar rastros óbvios.
Decisões judiciais
A ação foi autorizada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, que expediu 25 mandados de busca e apreensão. Além das incursões físicas, a Justiça ordenou o bloqueio dos sigilos bancário e fiscal de todos os envolvidos, o afastamento de um servidor público de suas funções e o sequestro de bens avaliados em R$ 4 milhões.
A lista de crimes que recai sobre os investigados é extensa. Eles deverão responder por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica eleitoral, organização criminosa, corrupção ativa e passiva, além de crimes contra a administração pública relacionados ao desvio das verbas.













