Brasília (DF) – O setor da construção civil no Brasil movimentou 191 mil empresas em 2024, sustentando uma força de trabalho de 2,5 milhões de profissionais. Esse contingente recebeu, ao longo do ano, um montante total de R$ 95,6 bilhões em pagamentos, o que reflete uma remuneração média de 2,1 salários mínimos — considerando o valor de R$ 1.412 vigente no período.
Os dados compõem a edição mais recente da Pesquisa Anual da Indústria da Construção. Devido a uma alteração metodológica profunda implementada pelo IBGE, os resultados atuais não permitem confrontos diretos com a série histórica iniciada em 2007. O retrato atual organiza o setor em três pilares: edificações, infraestrutura e serviços especializados.
A construção de edifícios — que abarca desde projetos residenciais até instalações industriais — lidera a absorção de mão de obra, concentrando 894,8 mil pessoas, ou 35,7% do total. Na sequência, aparecem os serviços especializados, como instalações elétricas e pintura, com 34,4%. Já as obras de infraestrutura, embora ocupem a terceira posição com 29,9% dos trabalhadores, lideram em tamanho médio das equipes: cada firma do segmento conta, em média, com 39 funcionários, contra 13 nas construtoras de prédios e oito nas empresas de serviços especializados.
A disparidade também aparece nos contracheques. Quem atua em obras de infraestrutura recebe, em média, 2,6 salários mínimos, valor superior à média paga na construção de edifícios (1,9) e nos serviços especializados (1,8).
No cômputo geral, o valor gerado pelas atividades de construção no país atingiu R$ 522,5 bilhões. Desse total, a infraestrutura respondeu por R$ 200,9 bilhões, seguida de perto pela construção de edifícios, com R$ 198,9 bilhões, enquanto os serviços especializados somaram R$ 122,8 bilhões. O indicador de concentração de mercado, que mede o peso das oito maiores empresas do setor, fechou em 3,1%, sinalizando uma indústria capilarizada e longe de configurações monopolistas.
Quando o assunto é a destinação das obras, o ranking é encabeçado por rodovias, ferrovias e projetos urbanos, que representam 22,8% do valor total. Obras residenciais respondem por 22,2%, enquanto serviços especializados ficam com 19,2%. A lista segue com infraestrutura de energia, saneamento e telecomunicações (12,8%), edificações não residenciais (10,7%) e outros tipos de obras.
O peso dos custos operacionais revela que o pagamento de salários é o item que mais drena o orçamento das empresas, absorvendo 30,7% do dispêndio total. Logo atrás aparecem o consumo intermediário — que engloba aluguéis de máquinas, combustíveis e manutenção — com 22,5%, e os materiais de construção, responsáveis por 22,3% das despesas.
O setor público sustenta uma parcela expressiva da demanda. De cada R$ 3 investidos em obras no Brasil, R$ 1 provém dos cofres públicos. Em infraestrutura, o peso do Estado é ainda mais evidente, respondendo por 48,2% da demanda, enquanto a iniciativa privada assume o protagonismo na construção de edifícios e serviços especializados, onde o setor público responde por 22,9% e 19,5%, respectivamente.












