Brasília (DF) – O cenário climático para o restante deste ano acende o sinal vermelho no governo federal. A combinação do fenômeno El Niño com o aquecimento global impõe um desafio duplo ao país: enquanto o Sul se prepara para o risco constante de enchentes, o restante do território enfrenta a perspectiva de estiagens severas. O alerta vem do Ministério do Meio Ambiente, que enxerga no segundo semestre um período de ameaça real para biomas como Amazônia, Caatinga, Cerrado e Pantanal.
Para tentar controlar o fogo em áreas onde a seca será mais agressiva, a estratégia oficial aposta no aumento de pessoal. Estão sendo mobilizados 4,6 mil brigadistas. A logística de combate também envolve o repasse de verbas robustas. Somente para os corpos de bombeiros estaduais, foram destinados quase R$ 600 milhões. Desse total, R$ 430 milhões saíram dos cofres do Fundo Amazônia, com o suporte financeiro chegando também às corporações que atuam no Cerrado e no Pantanal.
A preparação não se limita ao contingente humano. O governo distribuiu kits contendo equipamentos de proteção individual (EPIs), abafadores e máquinas pesadas, como retroescavadeiras, para atender brigadas indígenas, quilombolas e voluntárias espalhadas por regiões críticas. O objetivo é dar capilaridade ao combate preventivo.
Mesmo com o reforço, o sucesso da operação depende da colaboração de cada cidadão. O Ministério do Meio Ambiente reforçou o apelo para que o uso do fogo na limpeza de terrenos, prática comum no campo, seja suspenso imediatamente. Em períodos de ar seco e vegetação inflamável, um pequeno foco de lixo queimado pode escalar rapidamente para proporções incontroláveis, consumindo quilômetros de mata e sobrecarregando as equipes de socorro.
A mudança de postura também ganhou um contorno jurídico. Com a vigência da Lei do Manejo Integrado do Fogo, aprovada em 2024, a responsabilidade sobre a prevenção deixou de ser um dever exclusivo das autoridades públicas. Proprietários rurais agora são legalmente instados a compor suas próprias brigadas e manter equipamentos adequados para evitar que chamas em suas propriedades se transformem em tragédias ambientais.
A aposta do governo é que esse conjunto de medidas — investimento em pessoal, tecnologia e rigor normativo — consiga frear os danos projetados pela meteorologia. Contudo, a eficácia do plano esbarra, agora, na resistência cultural ao uso do fogo em áreas rurais e na severidade das condições atmosféricas esperadas para os próximos meses.












