Brasília (DF) – Integrantes da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado voltaram a colocar sob lupa a saúde financeira do Banco de Brasília. Na terça-feira, 9 de julho, a ausência de dados concretos sobre o banco estatal dominou os debates, especialmente após a instituição ignorar o prazo de 31 de março para a entrega do balanço de 2025.
A tensão na comissão subiu quando o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, detalhou a necessidade de um aporte de 8,8 bilhões de reais. Para o senador Renan Calheiros, que preside o colegiado, a situação é alarmante: falta clareza sobre o tamanho do prejuízo e as razões por trás das negociações com o Master, instituição ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro. O parlamentar questionou abertamente como o Supremo Tribunal Federal pôde homologar um plano de salvamento sem que os números do exercício atual estivessem publicados.
O desenho da operação financeira é complexo. O governo distrital busca um empréstimo de 6,6 bilhões de reais junto ao Fundo Garantidor de Crédito. A garantia dessa operação recai sobre as receitas do Fundo de Participação dos Estados e do Fundo de Participação dos Municípios. Em contrapartida, o governo local precisará apertar o cinto: o pacote prevê congelamento de salários de servidores e a suspensão de novos concursos públicos, medidas que ainda dependem do aval da Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Izalci Lucas foi incisivo ao analisar o peso dessa dívida. Segundo ele, o pagamento programado para se estender por 15 anos compromete o orçamento das próximas três gestões no Palácio do Buriti. O senador relembrou que, na prática, recursos que deveriam ser aplicados em áreas vitais, como saúde e segurança pública, acabam sendo desviados para estancar problemas financeiros internos da instituição.
Damares Alves, que solicitou a audiência, reforçou que o cenário não é apenas um entrave local, mas um risco sistêmico. O BRB detém cerca de 30 bilhões de reais em depósitos judiciais oriundos de quatro estados — Alagoas, Bahia, Maranhão e Paraíba — além do próprio Distrito Federal. Qualquer instabilidade no banco gera uma onda de insegurança que atravessa fronteiras, afetando a credibilidade do sistema financeiro nacional. Além disso, a instituição detém 64% dos financiamentos imobiliários da capital, com uma carteira que alcança 15 bilhões de reais.
O restante do socorro financeiro, estimado em 2,2 bilhões de reais, viria de uma operação de securitização da dívida com suporte do BTG Pactual. Parte desse montante, 1,17 bilhão de reais, já teria sido captada em 25 de maio. Contudo, para os senadores, o que falta não é engenharia financeira, mas uma prestação de contas que responda de forma definitiva sobre a origem e o destino de tantos recursos, evitando que a população seja pega de surpresa por novos desdobramentos de uma crise que parece longe de ser sanada.












