Rio de Janeiro (RJ) – O Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro iniciou uma mudança em sua gestão financeira. Nesta terça-feira, 9 de abril, a autarquia informou que o excedente do seu Fundo Administrativo passará a reforçar o pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais. A decisão, chancelada pela diretoria executiva no dia 2, estabelece que todo recurso que ultrapassar 150% das despesas operacionais registradas nos últimos doze meses será redirecionado aos beneficiários.
A estimativa interna aponta que a medida deve injetar aproximadamente R$ 100 milhões na folha de pagamentos ainda em 2024. Para entrar em vigor de forma plena, o texto aguarda agora o aval do Conselho de Administração, cuja reunião ordinária está marcada para o fim de junho.
Felipe Derbli, diretor-presidente do Rioprevidência, defende que a estratégia serve a um propósito duplo. Além de priorizar o fluxo de caixa para os aposentados, a regra cria uma trava administrativa para conter gastos futuros. Junto a isso, o órgão altera sua postura no mercado. Investimentos arriscados, muitas vezes atrelados a prazos longos, perdem espaço para operações de curto prazo e maior liquidez. A ideia é blindar os recursos administrativos contra volatilidades desnecessárias.
A mudança de tom ocorre sob o peso de investigações federais. O fundo fluminense está no centro do chamado Caso Master, que mobilizou a Polícia Federal em maio. Na oitava fase da Operação Compliance Zero, apurou-se a aplicação irregular de cerca de R$ 3 bilhões em títulos e fundos do Banco Master. O montante, que deveria estar sob gestão prudente, envolveu o nome do governador Cláudio Castro em um cenário de suspeita de má gestão de ativos previdenciários.
Relatórios da Polícia Federal enviados ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, detalham os repasses que colocaram a autarquia sob lupa. Entre outubro de 2023 e julho de 2024, o Rioprevidência teria aportado R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Mesmo após entraves regulatórios surgirem no caminho, o fluxo não parou. De dezembro de 2024 até outubro de 2025, novos aportes, desta vez em fundos estruturados pelo mesmo grupo econômico, somaram R$ 2,01 bilhões.
Para o comando do instituto, a nova diretriz de investimentos é uma questão de lógica básica. Derbli sustenta que o custeio administrativo não pode ficar exposto a estratégias de longo prazo que, por natureza, carregam um nível de incerteza incompatível com a finalidade do recurso. Resta saber como o Conselho de Administração receberá a mudança em sua próxima sessão, em um momento em que a transparência sobre o uso do patrimônio dos servidores públicos tornou-se o principal desafio da gestão.













