Iúna (ES) – Uma nova reviravolta marcou a retomada do julgamento do assassinato do menino Henry Borel Medeiros pelo Tribunal do Júri no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (25). O réu Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, chegou a pedir a destituição dos advogados, o que poderia levar a um novo adiamento.
Jairinho e Monique Medeiros, mãe da criança, são acusados pela morte de Henry em 2021, após uma série de agressões. À época do crime, Dr. Jairinho era vereador no Rio de Janeiro no quinto mandato.
O pedido de desautorização da equipe de defesa nesta segunda-feira teve um motivo específico: o defensor Fabiano Tadeu Lopes, que liderava a banca, sofreu um infarto no último sábado (23) e estava hospitalizado, com 30% da capacidade cardíaca. Mesmo com oito advogados constituídos, Jairinho sustentou que Fabiano Lopes seria o mais habilitado por conhecer outras acusações relacionadas ao réu.
Bangu 1 em vez de Bangu 8
Ao se manifestar à juíza Elizabeth Machado Louro, que preside o Tribunal do Júri, Jairinho pediu a destituição do restante da equipe. A magistrada avaliou que a movimentação tinha caráter de protelação, mas sinalizou que poderia atender ao pedido — só que, naquele momento, o réu ficou sem advogado constituído.
Com sugestão do promotor Fábio Vieira dos Santos, a juíza determinou a transferência de Jairinho do presídio Bangu 8 para Bangu 1. As duas unidades ficam no Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio.
A diferença entre elas, segundo a decisão, é que Bangu 8 é menos rígida, comumente destinada a pessoas com nível superior. Já Bangu 1 é considerada mais rigorosa, de segurança máxima, onde ficam líderes de quadrilhas, frequentemente sob regime de isolamento. Durante a leitura, a juíza citou que o próprio réu reconhecia que Bangu 1 oferecia “mais conforto e facilidade”, enquanto Bangu 8 seria “mais apropriada ao efetivo cumprimento da pena”.
A decisão também adiou o julgamento de Monique Medeiros, mãe de Henry. A magistrada ainda afirmou que a tentativa do réu se somava a outras medidas consideradas “protelatórias”.
“Há que se destacar que, nos últimos dois meses desde o adiamento, multiplicaram-se requerimentos inoportunos, nitidamente protelatórios. Além de dois habeas corpus com argumentos semelhantes, pedindo a suspensão da sessão marcada para esta data, antes da trágica ocorrência com o doutor Fabiano.”
Julgamento recomeça após reinstituição da defesa
Com o retorno do processo, Jairinho pediu interrupção para consultar advogados durante a leitura da decisão. O julgamento ficou suspenso por alguns minutos, e, no retorno, ele informou que estava instituindo novamente os advogados. Entre os nomes, estava Luís Fernando Abidu Figueiredo Santos, filho de Jairinho, recém-formado, que também fazia parte da banca anterior.
Assim, o Tribunal retomou a etapa de escolha dos jurados: cinco homens e duas mulheres foram habilitados para compor o corpo de júri. Em seguida, a juíza Elizabeth Machado Louro leu a denúncia do Ministério Público e interrompeu o julgamento para almoço.
Do total de 27 testemunhas arroladas, estão previstos para esta segunda-feira quatro depoimentos de testemunhas de acusação: dois delegados, um perito e um médico legista. Segundo o promotor Fábio Vieira dos Santos e a defesa de Jairinho, o julgamento deve durar de cinco a sete dias.
O caso e as acusações
De acordo com a denúncia, na madrugada de 8 de março de 2021, Dr. Jairinho teria espancado até a morte o menino Henry, enquanto Monique Medeiros foi omissa, o que teria levado à morte da criança. O Ministério Público também aponta que, em três ocasiões em fevereiro de 2021, Jairo teria submetido o menino a sofrimento físico e mental com emprego de violência.
Jairo é acusado de homicídio qualificado por meio cruel que teria impossibilitado a defesa da vítima e pelas três torturas praticadas contra a criança. Monique responde por homicídio por omissão qualificado por motivo torpe e por recurso que teria impossibilitado a defesa da vítima.
Adiamento anterior e estratégia da família
Este júri é o retorno de um adiamento. Em 23 de março, a defesa de Jairinho pediu adiamento alegando falta de acesso às provas; após o indeferimento do pedido pela juíza Elizabeth Machado Louro, os advogados abandonaram o plenário.
Na chegada ao Tribunal de Justiça, Leniel Borel de Almeida Junior, pai de Henry e assistente da acusação, antecipou que a estratégia da família é mostrar a “teia de influência” usada por Dr. Jairinho para esconder evidências. Ele disse que o foco seria mostrar quem seriam “Jair e Monique”, além da rede acionada para que o hospital não enviasse o corpo ao IML, citando também ligações do então vereador no Rio, com cinco mandatos, e do pai dele, além de contatos com autoridades e delegados que foram presos.
Leniel também criticou o fato de o então casal ter conseguido apagar dados de computador e de telefone celular. Antes do início do julgamento, o advogado de Jairinho, Rodrigo Faucz, reforçou a versão de que a morte foi um acidente, e reclamou ainda que a defesa não teve acesso a todas as provas que fazem parte do processo.











