Brasília (DF) – Quem estiver se preparando para o Enem 2026 encontrará um cenário de acolhimento mais abrangente na hora da prova. O edital oficial da edição trouxe mudanças significativas ao incluir quadros de saúde mental e doenças crônicas entre as condições elegíveis para atendimento especializado. Agora, estudantes que enfrentam transtorno de ansiedade, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), TDAH ou condições como fibromialgia têm o direito formal de solicitar suporte durante a aplicação.
Essa nova diretriz não é apenas burocrática. Na prática, uma pessoa com histórico documentado de crises de ansiedade poderá ter o conforto de contar com um acompanhante no local de prova, uma medida que visa reduzir o peso psicológico em um momento tão decisivo. O procedimento exige que a solicitação seja feita diretamente pelo portal oficial, a Página do Participante, até esta sexta-feira, dia 5 de junho.
O processo é rigoroso: não basta pedir, é preciso comprovar. Cada caso passa pelo crivo técnico das equipes responsáveis, que avaliam laudos médicos e outros documentos pertinentes. Se o sinal verde for dado, o estudante ganha permissão para usar recursos essenciais, como medidores de glicose, bombas de insulina ou até mesmo a presença de um cão de apoio emocional. Tudo, claro, passa pelo olhar atento dos chefes de sala, que vistoriarão rigorosamente qualquer material de auxílio.
A logística de apoio físico também se expande. Candidatos diagnosticados com transtornos mentais, assim como lactantes, terão acesso a uma sala reservada. Funciona assim: o acompanhante autorizado fica fora do ambiente de provas, disponível em um espaço vigiado por fiscais, pronto para agir caso o participante precise de um suporte momentâneo, de auxílio para ir ao banheiro ou de alimentação. Embora estejam no mesmo prédio, esses profissionais não pisam no local onde o exame ocorre e todos passam por revista com detector de metais.
Essas atualizações refletem um salto no volume de acessibilidade buscado pelos brasileiros. Em um intervalo curto de tempo, entre 2022 e 2025, o número de participantes com atendimento especializado saltou de pouco mais de 30 mil para quase 90 mil, um crescimento vertiginoso de 191%. Somente em 2025, foram cerca de 165 mil recursos disponibilizados.
O exame continua sendo a principal porta de entrada para universidades no Brasil, funcionando como motor para o Sisu, o Prouni e o Fies. Para muitos, a prova é também o passaporte para o ensino superior em Portugal, graças aos acordos firmados pelo órgão organizador. Ao garantir suporte específico a um público mais diverso, o processo seletivo busca, em essência, igualar as chances daqueles que, por questões biológicas ou psíquicas, enfrentam barreiras que um candidato sem tais condições não precisaria contornar.








