Brasília (DF) – O relógio marcava poucas horas para o fechamento do período de entrega da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2026, e uma massa considerável de brasileiros – cerca de 900 mil pessoas – ainda não havia quitado suas pendências com o Fisco. Até o final da tarde desta sexta-feira, 29, apenas 43.138.106 declarações haviam chegado aos cofres da Receita Federal, um número que, embora expressivo, ainda deixava uma fatia significativa de contribuintes em débito.
A expectativa da Receita para este ano girava em torno de 44 milhões de declarações, e o volume já recebido correspondia a 98% desse total. Como de praxe, os dias derradeiros costumam ser os mais movimentados. A corrida pela declaração, aliás, é uma tradição brasileira, com muitos deixando para a última hora a tarefa de acertar as contas com o “Leão”.
Para boa parte dos que já fizeram sua parte, a notícia é animadora: segundo a própria Receita, 56,6% dos contribuintes que entregaram o documento têm direito a receber de volta valores em forma de restituição. Um contingente menor, 23%, precisará desembolsar imposto, enquanto outros 20,4% fecharam no zero a zero, sem imposto a pagar ou a receber.
A forma de envio também varia. A maioria – 78,2% – optou pelo bom e velho programa de computador. No entanto, a conveniência do preenchimento online, que guarda uma cópia das informações nos servidores da Receita, atraiu 15,6% dos contribuintes. E para aqueles mais ligados em tecnologia, o aplicativo para smartphones e tablets, o Meu Imposto de Renda, foi a escolha de 6,2%.
Um ponto de destaque na mecânica de preenchimento é a declaração pré-preenchida. Quase 60% dos contribuintes (59,7%) já se beneficiaram dessa modalidade, que simplifica o processo ao trazer informações previamente registradas. O declarante precisa apenas confirmar ou ajustar os dados, poupando tempo e evitando erros. A opção pelo desconto simplificado, outra forma de agilizar o processo, foi utilizada por 54,7% dos que já enviaram suas declarações.
O prazo para essa maratona fiscal começou lá atrás, em 23 de março, e se estendeu até as últimas horas da sexta-feira, 23h59min59s. Para quem não conseguiu cumprir essa meta, a punição vem na forma de multa. O valor pode ser de R$ 165,74 ou, caso o imposto devido seja maior, 1% sobre ele – o que for mais pesado financeiramente.
E quem, afinal, é obrigado a enfrentar a papelada? Quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 em 2025, por exemplo, precisa declarar. O mesmo vale para quem teve receita bruta de atividade rural superior a R$ 177.920. Existem ainda dispensas, como para quem ganhou até dois salários mínimos mensais, mas apenas se não se enquadrar em nenhuma outra regra de obrigatoriedade.









