Laranjeiras (SE) – O cenário industrial de Sergipe iniciou uma curva ascendente nesta sexta-feira, 29 de maio, com o anúncio de um aporte histórico da Petrobras no estado. Em cerimônia realizada na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen-SE), em Laranjeiras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva detalhou o pacote de investimentos que ultrapassa R$ 72,5 bilhões. A estimativa é de que, até 2030, a movimentação financeira crie 28 mil postos de trabalho, entre contratações diretas e indiretas, reconfigurando a importância do estado na economia nacional.
O cerne da estratégia reside no projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP). Com cerca de R$ 60 bilhões destinados especificamente à exploração em águas ultraprofundas, a companhia pretende posicionar Sergipe como o maior polo produtor de petróleo e gás do Nordeste. O cronograma estabelecido prevê o início da extração de óleo para 2030, seguido pelo escoamento de gás em 2031, por meio de um gasoduto de 134 quilômetros.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, apresentou números que ilustram a magnitude tecnológica do plano. Cada uma das duas plataformas previstas, SEAP-1 e SEAP-2, terá capacidade para processar 120 mil barris de petróleo diariamente e contará com uma unidade própria de processamento de gás natural — um diferencial que a executiva aponta como inovador após quatro décadas de vivência no setor.
A Fafen-SE, que também serviu de palco para o anúncio, é um símbolo da atual política energética da estatal. Após períodos de hibernação e gestão por terceiros, a unidade retomou as operações no último ano, voltando a produzir amônia e ureia. Atualmente, a fábrica opera com 530 contratados diretos, contribuindo com cerca de 7% da demanda nacional por fertilizantes nitrogenados. O objetivo de longo prazo é ambicioso: alcançar a autossuficiência do país no setor, aproveitando a maior disponibilidade de gás natural que os novos campos offshore oferecerão.
Além da exploração profunda, a estatal iniciou o descomissionamento de 26 plataformas de águas rasas em solo sergipano, um processo orçado em R$ 12,5 bilhões que deve seguir até 2035. Essa etapa envolve a vedação de 169 poços e a modernização da infraestrutura no Terminal Marítimo Inácio Barbosa (TMIB), que servirá como base logística fundamental para sustentar toda essa cadeia.
Para o governo estadual, o anúncio encerra um ciclo de incertezas e desinvestimentos que marcou a presença da Petrobras na região nos últimos anos. Enquanto celebra o volume financeiro, a gestão federal reforça a narrativa de que a soberania na produção de insumos básicos, como o fertilizante, é o único caminho seguro para isolar a economia doméstica das flutuações e crises geopolíticas internacionais, como os reflexos dos conflitos recentes no mercado global de energia.












