Brasília (DF) – O fluxo de transferências de renda que sustenta milhões de lares brasileiros ganha uma nova etapa nesta quinta-feira, dia 28 de maio. É a vez dos beneficiários com o Número de Inscrição Social finalizado em 9 sacarem a parcela mensal do Bolsa Família, operação viabilizada pela Caixa Econômica Federal. Com o cronograma oficial na reta final, o programa chega a um total de 19,08 milhões de famílias atendidas, movimentando uma cifra de 12,9 bilhões de reais em recursos.
Se o piso básico do benefício continua fixado em 600 reais, os novos complementos financeiros elevaram o valor médio recebido por família para 678,01 reais. Essa variação reflete uma série de acréscimos focados em proteger a primeira infância e o período de gestação. Mães com bebês de até seis meses contam com o Benefício Variável Familiar Nutriz — que garante um reforço mensal de 50 reais durante um semestre. Há também pagamentos adicionais de 50 reais voltados para gestantes, lactantes e para cada filho com idade entre 7 e 18 anos. Para quem tem crianças menores em casa, com até 6 anos, o acréscimo é ainda de 150 reais para cada filho nessa faixa etária.
Flexibilização e atendimento em áreas críticas
O calendário tradicional de desembolsos costuma ocupar as duas últimas semanas úteis de cada mês. No entanto, crises ambientais e geográficas exigiram que as regras normais de distribuição fossem flexibilizadas para mais de duzentas cidades. No dia 18 deste mês, famílias moradoras de 217 municípios distribuídos por nove estados puderam retirar seus benefícios simultaneamente, de forma unificada e sem a necessidade de esperar pelo final do NIS.
A força-tarefa atendeu prioritariamente 124 cidades no Rio Grande do Norte que enfrentam problemas de seca. O restante das ações contemplou outras localidades afetadas por chuvas ou estiagens, além de regiões com populações indígenas em situação de vulnerabilidade. O lote unificado alcançou municípios no Amazonas (3 cidades), Pará (1), Paraíba (31), Paraná (16), Pernambuco (27), Rio de Janeiro (3), Roraima (6) e Sergipe (6).
Regras de permanência e a proteção ao emprego
O acesso rápido a extratos, datas exatas de depósito e saldos disponíveis continua sob a gerência digital do Caixa Tem, aplicativo do banco público destinado à movimentação das contas poupança digitais. Fora a parte digital, as dinâmicas de assistência também mudaram. Desde o começo de 2024, os beneficiários do programa não passam mais pelo desconto do Seguro Defeso — uma alteração jurídica promovida pela Lei 14.601/2023, que resgatou o Bolsa Família. O benefício do Seguro Defeso atende a pessoas que vivem puramente da pesca artesanal e ficam temporariamente proibidas de atuar na época de reprodução dos peixes, a chamada piracema.
Outro pilar operacional relevante é a regra de proteção, que alcança cerca de 2,26 milhões de lares no ciclo de maio. O modelo funciona como uma salvaguarda para que famílias cujos membros encontrem vagas no mercado de trabalho continuem a receber 50% do Bolsa Família por até dois anos. A exigência é que a renda individual média dentro do lar permaneça em até 706 reais. Desta vez, exatamente 159.248 novas famílias que registraram melhora financeira ingressaram nesse modelo protetivo de transição.
A dinâmica dessa proteção, contudo, passará por mudanças futuras. Para quem entrar na fase de transição a partir de junho de 2025, o período de permanência na regra será reduzido pela metade, caindo de dois anos para apenas um. As famílias que conseguiram obter a proteção antes disso, ou seja, até o limite de maio de 2025, permanecem sob o regulamento de 24 meses de auxílio parcial.













