Brasília (DF) – A ameaça de uma sobretaxa de 25% pelos Estados Unidos coloca em risco mais de um quinto das exportações brasileiras para o mercado norte-americano. O alerta foi detalhado em Brasília nesta terça-feira (2), como reação imediata ao relatório apresentado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na segunda-feira (1º).
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, apresentou a dimensão do estrago ao lado do vice-presidente, Geraldo Alckmin, e do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo ele, a nova tarifa colocaria sob forte pressão setores essenciais da economia brasileira. A lista dos segmentos mais desprotegidos reúne produtos de plástico, calçados, papel cartão, ferro fundido, peixes e crustáceos, além de artigos de madeira como esquadrias e a indústria de máquinas e equipamentos de grande porte.
A soberania nacional em primeiro plano
De acordo com Rosa, a resposta de Brasília aos norte-americanos segue as diretrizes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: concessões na soberania brasileira estão fora de cogitação. Essa premissa tira qualquer possibilidade de o Pix entrar nas negociações bilaterais, independentemente da pressão. O posicionamento deve ser mantido de maneira firme perante os representantes estrangeiros.
As tentativas de diálogo, no entanto, enfrentam turbulências políticas domésticas. O ministro criticou diretamente as movimentações que atrapalham as conversas internacionais, citando como exemplo as agendas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Casa Branca, ocorridas na semana passada. Para Rosa, o empenho do parlamentar para que os EUA classifiquem as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas esvazia e prejudica o esforço contínuo da Polícia Federal brasileira, que já atua em cooperação internacional de segurança.
O ministro também recordou que o próprio presidente Lula entregou propostas sólidas no combate à corrupção diretamente ao governo norte-americano, reafirmando que o foco das decisões será blindar as necessidades do povo.
Canais de interlocução continuam abertos
Apesar do momento tenso, o Palácio do Planalto mantém interlocução constante com Washington. A relação de proximidade vem desde o encontro presencial entre Lula e o presidente Donald Trump. De lá para cá, as autoridades mantiveram ao menos quatro rodadas recentes de negociações, sendo o último debate oficial conduzido no dia 28 de maio e desdobrado em reuniões de caráter técnico na manhã da sexta-feira (29).










