Brasília (DF) – A decisão do governo federal de zerar o imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, anunciada na última terça-feira (12), foi recebida com alívio pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec). Para a entidade, a medida — que vigorava desde agosto de 2024 — falhou em cumprir sua promessa original de impulsionar a indústria nacional e gerar empregos.
André Porto, diretor-executivo da Amobitec, é categórico: o tributo apenas encareceu produtos sem entregar contrapartidas reais à economia. Estudos da consultoria Global Intelligence Analytics dão suporte a essa leitura, indicando que o varejo nacional absorveu os benefícios da taxação via aumento de preços, enquanto o poder de compra das classes de menor renda foi diretamente atingido pela retração na demanda.
O debate ganha contornos de justiça social na visão da associação. Porto argumenta que o modelo anterior criava uma desigualdade flagrante: enquanto consumidores de alta renda viajam ao exterior e aproveitam isenções de até US$ 1 mil, a população mais pobre dependia exclusivamente do e-commerce para acessar bens de consumo. Para ele, o fim da taxa devolve ao país um padrão comercial mais equilibrado.
Apesar do otimismo da Amobitec — que representa gigantes como Shein, Amazon e Uber —, a decisão enfrenta resistência. Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) temem que a isenção coloque o setor produtivo brasileiro em desvantagem competitiva. O impasse expõe um racha profundo entre quem prioriza o acesso do consumidor e quem defende a proteção do varejo local diante das plataformas globais.











