Os investimentos acumulados em energia solar no Brasil superaram a marca de R$ 300 bilhões, englobando grandes usinas e sistemas de geração própria instalados em residências e empresas. O dado vem da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), mas o setor enfrenta um cenário recente de desaceleração, com queda significativa no ritmo de novos projetos.
A retração foi drástica em 2025. A potência adicionada à matriz energética caiu 25,6%, passando de 15,6 gigawatts em 2024 para 11,6 gigawatts no ano seguinte. Os principais culpados são os cortes na geração de usinas renováveis que produzem energia excedente, sem compensação financeira aos empreendedores, além das dificuldades de conexão para pequenos sistemas, relacionadas à capacidade limitada das redes elétricas.
Os números do setor
A energia solar já responde por 25,3% da matriz elétrica brasileira, a segunda maior fonte do país. A capacidade instalada total chega a 68,6 gigawatts em operação. O setor gerou mais de 2 milhões de empregos na última década e arrecadou R$ 95,9 bilhões em impostos.
A presença da energia solar se espalha por mais de 5 mil municípios. Minas Gerais lidera em geração centralizada com 8,6 gigawatts, seguida pela Bahia com 2,9 gigawatts e Piauí com 2,4 gigawatts. Em geração distribuída, São Paulo sai na frente com 6,5 gigawatts, Minas Gerais fica em segundo com 5,8 gigawatts e Paraná em terceiro com 4,2 gigawatts.
Obstáculos e perspectivas
A desaceleração resultou em fechamento de empresas, cancelamento de investimentos e redução de empregos. Barbara Rubim, presidente eleita do conselho da Absolar para 2026 a 2030, aponta que a prioridade será promover uma expansão sustentável da fonte solar com melhorias regulatórias, fortalecimento do mercado livre de energia e incentivo a tecnologias complementares como armazenamento e hidrogênio verde.
A entidade defende a regulamentação do armazenamento de energia elétrica junto ao Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura, conhecido como Reidi. Segundo a Absolar, essas medidas podem ser implementadas por decretos presidenciais ou portarias de ministérios, sem necessidade de votação no Congresso. A associação também busca alterações para estimular projetos de armazenamento de energia solar em setores incluídos na reforma tributária.











