Serra (ES) – O preço do diesel no Brasil seguiu em queda e já acumula recuo de 4,5% nas bombas após quatro baixas em cinco semanas, segundo monitoramento da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Na última semana, o litro do diesel S10 fechou com média de R$ 7,24, mantendo a sequência de retração que vem trazendo alguma folga ao caixa de quem depende do combustível no dia a dia. Para o setor de transportes, a pergunta que fica é direta: quanto tempo esse alívio pontual vai durar?
Mesmo com o movimento recente, o patamar ainda pesa quando comparado ao período anterior aos conflitos no Irã. De acordo com a ANP, o diesel segue 18,9% mais caro do que em fevereiro, quando os ataques no Oriente Médio desestabilizaram o mercado global e levaram o barril do tipo Brent a passar de US$ 100, puxando o custo do frete e também dos alimentos.
A virada observada nas bombas ocorre junto com a entrada em vigor de subsídios federais e com a isenção de impostos como PIS e Cofins. Para o pesquisador Iago Montalvão, do Ineep, outro fator ajudou a segurar o repasse do choque internacional: a forte presença da Petrobras no mercado, que teria evitado que a alta lá fora fosse transferida integralmente ao consumidor final, protegendo a margem das refinarias.
Como o Brasil não é autossuficiente e importa cerca de 30% do diesel que consome, o mercado interno continua sensível às oscilações ligadas à geopolítica. Nesse cenário, o S10, versão menos poluente e a mais utilizada pela frota nacional, funciona como termômetro da inflação, já que responde por 70% do consumo total de óleo diesel no país.
Agora, a expectativa é acompanhar se as quedas recentes se sustentam ou se o preço volta a acompanhar a volatilidade do mercado externo. Com o S10 no centro desse acompanhamento, a próxima semana pode mostrar se a redução é apenas uma pausa ou o começo de uma trajetória mais estável para quem paga a conta do transporte.












