Brasília (DF) – O Ministério da Saúde esclareceu que o calendário de vacinação contra a dengue destinado a crianças e adolescentes segue sem qualquer interrupção em todo o território nacional. A confusão em torno da disponibilidade das doses ocorre devido à suspensão da vacina produzida pelo Instituto Butantan, que possui um público-alvo completamente distinto daquele atendido nas unidades básicas de saúde.
O imunizante aplicado atualmente nos postos brasileiros chama-se Qdenga, uma tecnologia desenvolvida pelo laboratório japonês Takeda. Esta vacina é voltada exclusivamente para a faixa etária entre 10 e 14 anos. Desde o início de sua oferta na rede pública, em 2024, o Brasil já contabilizou a aplicação de aproximadamente 8 milhões de doses, garantindo a continuidade do cronograma de proteção desse grupo específico.
Eder Gatti, diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações da pasta, reforçou que a vacina da Takeda não sofreu nenhum tipo de alteração ou veto. O fluxo de distribuição e aplicação mantém sua normalidade em todas as regiões do país, focando nos jovens que precisam da proteção contra o vírus.
Diferenças entre os imunizantes
A vacina desenvolvida pelo Butantan atende a critérios diferentes. O imunizante, incorporado ao SUS em janeiro deste ano, foi desenhado para pessoas acima de 15 anos. Sua aplicação esteve restrita a um público delimitado, em uma estratégia que não abrangia a população geral, mas sim grupos específicos e localidades selecionadas.
Até o dia 30 de maio, mais de 501 mil doses da vacina do Butantan foram administradas. O público prioritário incluiu profissionais de saúde atuantes na Atenção Primária e moradores das cidades de Botucatu, em São Paulo; Maranguape, no Ceará; e Nova Lima, em Minas Gerais; além da região de Araguaína, no Tocantins. Nestes locais, a vacina alcançou pessoas entre 15 e 49 anos.
Queda nos registros da doença
O cenário epidemiológico da dengue no país apresenta um recuo considerável em 2025. Dados compilados pelo Ministério da Saúde indicam uma diminuição de 97% no número de mortes decorrentes da doença entre janeiro e maio, quando comparado ao mesmo intervalo de 2024. No que se refere à incidência de casos confirmados, a queda registrada no mesmo período foi de 94%. Essas estatísticas reforçam a importância das estratégias de imunização vigentes, que continuam sendo o principal pilar de enfrentamento ao avanço da dengue nas diversas faixas etárias brasileiras.












