Damasco vive um momento de forte simbolismo diplomático neste sábado (25). Quinze anos após a última passagem de um secretário-geral das Nações Unidas pelo país, António Guterres desembarcou em solo sírio para uma agenda de três dias que marca um divisor de águas na relação do organismo internacional com o novo poder estabelecido na capital. Trata-se da primeira visita desse nível desde 2009, período anterior ao início do conflito civil que assolou a nação a partir de 2011.
A recepção no aeroporto internacional de Damasco ficou a cargo do ministro dos Negócios Estrangeiros, Asaad al-Shaibani, que liderou a comitiva de boas-vindas ao chefe da ONU. O encontro físico, embora protocolar, carrega o peso de uma nova era política. Há pouco mais de um ano, a Síria passou por uma reviravolta com a queda do ex-presidente Bashar al-Assad, destituído pelas forças lideradas por Ahmed al-Charaa, que agora comanda o processo de reorganização do Estado.
Durante sua estada, Guterres pretende demonstrar apoio ao delicado processo de transição em curso. Desde que Al-Charaa assumiu as rédeas do governo, a comunidade internacional tem condicionado o restabelecimento pleno de laços diplomáticos à criação de salvaguardas institucionais robustas. A exigência global repousa sobre a construção de uma governança representativa, capaz de abraçar as diferentes correntes da sociedade civil, com uma atenção indispensável à proteção e inclusão das minorias étnicas e religiosas que historicamente compõem o tecido social sírio.
O caminho para a estabilidade pós-conflito
O desafio vai muito além da reconstrução física de cidades inteiras reduzidas a escombros por mais de uma década de bombardeios e combates. A diplomacia internacional enxerga a necessidade de reestruturar as bases jurídicas e sociais do país. O porta-voz do secretariado da ONU, Stéphane Dujarric, pontuou que o foco da viagem de Guterres ultrapassa o mero auxílio emergencial decorrente de 13 anos de hostilidades. A meta é ajudar os sírios a pavimentarem um caminho seguro em direção a uma estabilidade política real, pautada pela inclusão social.
Ao longo dos encontros oficiais programados para os próximos dias, o líder das Nações Unidas deve reafirmar a disposição da entidade em atuar de forma ativa nessa nova fase. A organização busca se posicionar não como uma força externa impositiva, mas como uma parceira estratégica para acompanhar e dar suporte técnico às aspirações de autodeterminação dos próprios cidadãos sírios, que tentam agora encerrar de vez um dos capítulos mais sangrentos deste século.












