Ibatiba (ES) – O cenário educacional global atravessa um momento crítico. Jovens de 15 anos registraram os índices mais baixos de proficiência em leitura, matemática e ciências desde que os levantamentos começaram a ser sistematizados, no ano 2000. O diagnóstico, revelado pela edição mais recente do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), abrange 760 mil adolescentes em 91 países, expondo um retrocesso acadêmico que preocupa gestores e especialistas.
Os números refletem uma realidade preocupante. Em leitura, a pontuação média, que atingiu o auge de 501 pontos em 2012, despencou para 466 no ciclo mais recente. Na prática, isso significa que os adolescentes atuais demonstram um nível de compreensão textual equivalente ao que, anos atrás, era esperado de estudantes um ano mais novos. O fenômeno não poupou as exatas: em ciências, a nota caiu de 506 para 486, enquanto em matemática a marca recuou de 502 para 469.
O distanciamento dos livros e o hábito de leituras superficiais e fragmentadas ocupam o centro da análise. O aumento do tempo dedicado às telas, em detrimento da leitura por prazer, é apontado como um fator determinante para a fragilidade nos resultados. O comportamento dos alunos durante as provas também mudou; nota-se uma tendência crescente à leitura apressada, em que o estudante percorre o texto com desatenção, resultando em respostas imprecisas.
Embora o relatório não preconize o banimento imediato dos dispositivos móveis, os dados evidenciam o impacto nocivo da distração digital. Em 59 dos 82 sistemas educacionais observados, o uso de celulares está diretamente correlacionado a notas menores em ciências. Mais de 25% dos alunos admitem que o uso de aparelhos por colegas prejudica o ambiente em sala de aula. Em média, adolescentes passam 3,4 horas diárias em atividades de lazer digital, somadas a outras três horas voltadas ao uso de dispositivos para o aprendizado.
A relação com a tecnologia apresenta um limite tênue. O secretário-geral da organização responsável pelo estudo observou que, após cinco horas de uso diário de dispositivos, o desempenho acadêmico sofre uma queda acentuada. Mesmo o uso de inteligência artificial traz alertas importantes. Quase metade dos jovens utiliza chatbots para tarefas como resumos e pesquisas, mas aqueles que recorrem a essas ferramentas para a produção de textos ou estudos apresentam notas cerca de 20 pontos inferiores em ciências — um déficit que equivale a um ano inteiro de aprendizado perdido.
Geograficamente, a desigualdade de desempenho permanece evidente. O Leste Asiático, liderado por cidades chinesas, Japão, Coreia, Singapura e Taiwan, domina o topo do ranking mundial. Fora dessa região, apenas o Reino Unido e a Estônia conseguiram figurar entre os dez sistemas educacionais com melhor desempenho conjunto nas três áreas avaliadas. Curiosamente, a queda nos padrões de leitura foi registrada de forma mais acentuada entre alunos de origens mais abastadas, sugerindo que o desafio de manter a concentração e a qualidade cognitiva transcende o fator socioeconômico.









