Vitória (ES) – Você pode estar envelhecendo seu cérebro todos os dias sem perceber. A boa notícia é que algumas escolhas simples ajudam a preservar a memória, a capacidade de raciocínio e a autonomia ao longo dos anos. Sono, alimentação, vida social, tudo isso conta. Do sono à alimentação, passando pela atividade física e pela vida social, cada hábito conta — e a soma deles pode fazer diferença no futuro.
De acordo com o neurologista Leonardo Maciel, da São Bernardo Samp, esquecimentos pontuais podem fazer parte do envelhecimento normal. O sinal de alerta aparece quando a perda de memória começa a interferir na rotina, com dificuldade para aprender informações novas, desorientação em lugares conhecidos, mudanças de personalidade ou problemas para administrar finanças e medicamentos.
“É possível envelhecer mantendo a capacidade de aprender, memorizar e tomar decisões. O que merece investigação é um declínio progressivo que passa a interferir na vida diária”, afirma.
Na semana marcada pelo dia Mundial do Cérebro, celebrado em 22 de julho, o neurologista listou uma série de hábitos que ajudam a cuidar da saúde cerebral ao longo da vida:
1. Coloque o corpo em movimento
A atividade física regular está entre as principais estratégias para proteger o cérebro. “Exercícios melhoram o fluxo sanguíneo cerebral, favorecem as conexões entre os neurônios e podem reduzir em cerca de 25% o risco de demência”, alerta Maciel.
2. Priorize o sono
Dormir entre sete e oito horas por noite é importante para a saúde cognitiva. “Tanto a privação de sono quanto o excesso podem estar associados a um maior risco de alterações cerebrais”, afirma.
3. Escolha melhor o que vai ao prato
Padrões alimentares como as dietas mediterrânea, ricas em frutas, vegetais, grãos integrais e peixes, estão relacionados a melhor função cognitiva e menor declínio ao longo dos anos. “A hipertensão na meia-idade, obesidade, inatividade física e diabetes são particularmente importantes se você quer reduzir as chances de um quadro de demência no futuro”, alerta o médico.
4. Não fume e evite o excesso de álcool
O tabagismo e o consumo excessivo de álcool estão entre os fatores de risco modificáveis associados à demência. Reduzir esses riscos também é uma forma de proteger o cérebro.
5. Controle a pressão, o diabetes e o colesterol
A saúde do cérebro está diretamente ligada à saúde cardiovascular. Hipertensão, diabetes, obesidade e níveis elevados de colesterol LDL estão entre os fatores que podem aumentar o risco de declínio cognitivo.
“Até 45% dos casos de demência podem estar relacionados a fatores de risco modificáveis. Controlar esses fatores cardiovasculares é uma das estratégias fundamentais de prevenção”, explica o neurologista Leonardo Maciel.
6. Mantenha o cérebro e a vida social ativos
Aprender coisas novas, ler, estudar, realizar atividades cognitivamente estimulantes e manter conexões sociais ajudam a construir a chamada reserva cognitiva. “Educação continuada, atividades cognitivas estimulantes e conexões sociais constroem reserva cognitiva e protegem contra declínio. O isolamento social, por outro lado, está entre os fatores associados ao risco de demência”, diz o médico.
7. Cuide do estresse e fique atento aos sinais
O estresse crônico e a ansiedade elevada podem afetar áreas do cérebro relacionadas à memória e à atenção. Cuidar da saúde mental também faz parte da prevenção.
“Se eu tivesse que resumir, diria: pratique exercícios físicos regularmente; mantenha uma alimentação saudável, durma de sete a oito horas por noite e não fume; e mantenha-se socialmente ativo e mentalmente engajado. Esses hábitos combinados podem reduzir o risco de demência em até 60%. Pessoas que aderem a múltiplos comportamentos saudáveis mantêm melhor função cognitiva próximo ao fim da vida, independentemente de alterações cerebrais relacionadas à idade.”, conclui.













