Brejetuba (ES) – O cenário epidemiológico brasileiro volta a ser mapeado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na última semana, teve início a coleta de dados da terceira edição da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2026), um esforço técnico realizado em cooperação com o Ministério da Saúde que pretende traçar um retrato atualizado do bem-estar, dos hábitos e do acesso aos serviços médicos no país.
O cronograma de campo é ambicioso. Até o dia 30 de novembro, uma força-tarefa composta por cerca de 1,8 mil entrevistadores percorrerá 140 mil domicílios espalhados por todos os estados. A estratégia de amostragem permite que, a partir da resposta de um grupo selecionado, seja possível projetar indicadores fiéis sobre a realidade de toda a população, servindo de alicerce para o planejamento de políticas públicas e a gestão do SUS.
Novidades em biomarcadores
Um diferencial marcante desta edição ocorre entre julho e outubro: a coleta de biomarcadores. Cerca de 20 mil pessoas com 35 anos ou mais, residentes em capitais e regiões metropolitanas, serão convidadas a realizar exames clínicos sem custo algum. O catálogo de análises inclui hemograma, lipidograma, hemoglobina glicada, creatinina, ácido úrico e marcadores para Chikungunya. Além disso, a pesquisa pretende identificar a presença de metais pesados, como mercúrio e chumbo, no organismo desses participantes, que receberão os resultados de forma gratuita.
Metodologia e rotina
A abordagem dos profissionais segue um roteiro técnico rigoroso. O questionário abrange desde condições estruturais da moradia até temas sensíveis como saúde mental, doenças crônicas, consumo de álcool, tabagismo e a utilização de planos de saúde. Em cada casa visitada, um morador com mais de 15 anos é sorteado para responder perguntas específicas. Durante esse processo, o entrevistador também realiza a aferição de peso, altura e pressão arterial, dados essenciais para o monitoramento de riscos como a hipertensão e a obesidade.
Segurança e identificação
O sigilo das informações é um pilar da operação. Para tranquilizar a população, o IBGE reforça que seus agentes trabalham devidamente uniformizados e portam crachás, além do dispositivo eletrônico de coleta. Em caso de dúvida sobre a identidade do servidor, o cidadão pode validar as informações pelo portal Respondendo ao IBGE ou pelo canal telefônico 0800 721 8181, disponível de segunda a sábado, das 8h às 21h30.
O projeto marca a terceira vez que o levantamento ganha escala nacional, sucedendo as edições de 2013 e 2019. A série histórica é estratégica, permitindo que gestores públicos comparem indicadores e identifiquem tendências na saúde dos brasileiros ao longo da última década, subsidiando ações que visam mitigar desigualdades no acesso ao cuidado médico.












