Rio de Janeiro (RJ) – O mapa da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Brasil desenha cenários opostos em um boletim divulgado nesta quinta-feira (9). Embora o país registre uma trajetória de queda geral na contaminação, nove capitais brasileiras caminham na contramão e apresentam tendência de alta a longo prazo nas internações. A oscilação coincide com o avanço da Influenza B em estados do Centro-Sul, mantendo os leitos infantis ocupados e a mortalidade pressionando os mais velhos.
Belo Horizonte, Boa Vista, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, Manaus, Palmas, Porto Alegre e Rio Branco são as cidades que hoje operam sob sinais de alerta, risco ou alto risco. O avanço desses quadros graves de infecção exige atenção redobrada dos sistemas de saúde locais. Em outra faixa de monitoramento, 11 capitais — entre elas Rio de Janeiro, Brasília e Salvador — também amargam índices preocupantes de internação por SRAG, contudo sem registrar um crescimento contínuo ao longo das últimas seis semanas.
Por trás dos números, há recortes geracionais nítidos. Nas capitais do Sul e em Belo Horizonte, o vírus atinge com maior força os bebês e crianças de até 4 anos. Já na Região Norte, o padrão muda ligeiramente: em Rio Branco, o crescimento dos diagnósticos se concentra na faixa dos 2 aos 14 anos. O drama da ponta oposta da vida também se faz presente, com idosos enfrentando um aumento expressivo de internações em Belo Horizonte, Florianópolis, Manaus e Rio Branco.
As análises laboratoriais da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostram que a Influenza B ganhou fôlego em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Goiás e Santa Catarina. Em contrapartida, estados populosos como São Paulo, Paraná, Ceará, Maranhão e Mato Grosso do Sul começam a esboçar um alívio, com indícios de que o avanço do vírus foi interrompido ou já inicia sua curva de descida.
O mapa dos vírus em circulação
Nas últimas quatro semanas epidemiológicas com confirmação laboratorial, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) consolidou-se como o principal causador das internações, respondendo por 55,9% dos registros. O rinovírus aparece na sequência com 23,3%, seguido pela Influenza A (12,7%), Influenza B (8,4%) e a Covid-19, que se manteve no patamar mais baixo de incidência, com 2,2%. No entanto, quando o desfecho é fatal, o cenário se inverte. A Influenza A lidera os óbitos do período com 33,1% das ocorrências, seguida de perto pelo rinovírus (26,3%), VSR (21,7%), Influenza B (15,4%) e Covid-19 (6,9%).
Desde o início do ano, o Brasil já somou 109.347 notificações de SRAG. O detalhamento do diagnóstico revela que pouco mais da metade — 56.530 casos, ou 51,7% — teve confirmação para algum agente viral. Outros 37.770 testes resultaram negativo, enquanto 8.195 exames seguem na fila de processamento à espera de um laudo laboratorial.
Olhando para o panorama amplo, o país experimenta um refresco na faixa etária que vai dos 2 aos 49 anos, além dos idosos acima de 65 anos, onde os casos estão caindo. A única oscilação de alta discreta aparece entre os adultos de 50 a 64 anos, ao passo que os bebês com menos de 2 anos vivem um momento de estabilização das internações, impulsionadas pelo VSR.
Diante da persistência da circulação viral, a prevenção continua sendo a barreira mais eficaz. A pesquisadora Tatiana Portella, do InfoGripe, adverte que manter a vacina contra a gripe atualizada é crucial para os grupos prioritários, atuando diretamente no bloqueio de casos graves e mortes. A etiqueta respiratória simples — como o uso de máscaras diante de sintomas e o isolamento temporário de idosos e crianças — segue como recomendação essencial para cortar a transmissão comunitária de vírus que ainda ditam o ritmo nos hospitais de parte do país.












