Brasília (DF) – A circulação de lotes falsificados do medicamento Mounjaro em território nacional motivou uma intervenção urgente da ANVISA nesta sexta-feira (10/7). O órgão regulador determinou a apreensão imediata de todas as unidades adulteradas e proibiu sumariamente sua comercialização e distribuição. A decisão ocorreu depois que a própria empresa detentora do registro do remédio identificou no mercado brasileiro embalagens com características físicas que divergiam do padrão original de fábrica.
O alerta de falsificação atinge diretamente quatro lotes específicos que vinham sendo oferecidos aos consumidores. Para quem utiliza a apresentação de Mounjaro 10 mg, o lote sob suspeita e agora banido é o 855044. Já na dosagem de 15 mg, os pacientes devem ficar atentos a três lotes que foram retirados de circulação: D880403, MJR 257 e D854901. Nenhum desses produtos deve ser adquirido ou utilizado pela população.
As análises que fundamentaram a decisão revelaram problemas graves. Os números de lote não eram sequer reconhecidos pela fabricante legítima. Os códigos de série também eram incompatíveis com os registros de controle interno, os dispositivos aplicadores apresentavam formatos fora dos padrões industriais exigidos e havia erros grosseiros de ortografia na rotulagem das caixas.
Varredura contra produtos sem registro
Paralelamente ao cerco ao Mounjaro falsificado, a agência sanitária decretou uma proibição abrangente contra diversos produtos naturais e suplementos comercializados de forma irregular. A medida proíbe a fabricação, distribuição, venda e propaganda de mercadorias que não possuem registro, notificação ou cadastro ativo no órgão regulador. Os fabricantes responsáveis por esses itens também não contam com a Autorização de Funcionamento exigida pela legislação brasileira.
A lista de sanções atinge três empresas específicas. A primeira delas é a PSM Pennaforte Produtos Naturais Ltda., inscrita sob o CNPJ 12.316.032/0001-80. A empresa fabricava e promovia produtos que simulavam tratamentos de saúde ou faziam alusão a remédios consagrados, agora todos proibidos de circular: Dia Forte Lótus Nutri, Tribulus Terrestris com Maca Natumix, Amora Branca Natumix, Sucupira Natumix, Espinheira Santa Natumix, Mounjaro Natumix, Ora Pro Nóbis Natumix e Ozempic Natural Natumix.
A segunda empresa afetada pela determinação é a Bálsamos Jes Suplemento Natural Ltda., sob o CNPJ 48.244.369/0001-76. A fiscalização barrou integralmente a linha de produtos da marca, que inclui Calm Je’s, Lipo Je’s, Bálsamo Je’s Algas Marinhas, Cura Je’s, Milagroso, Liberta Álcool Je’s, Virtuosa Je’s, Ouvido Bem Je’s e Bálsamo Je’s Colmavit 2.
Por fim, a Muwiz Indústria e Laboratório Ltda., registrada no CNPJ 08.787.804/0001-94, foi proibida de fabricar e comercializar o produto Mega Viril Lótus Nutri. O veto a todos esses laboratórios e seus respectivos lotes de mercadorias está consolidado na Resolução 2.693/2026, publicada oficialmente no Diário Oficial da União, onde a decisão pode ser consultada na íntegra por médicos, farmácias e consumidores.










