São Paulo (SP) – A Fundação Tide Setúbal deu início à terceira rodada do Edital Territórios Clínicos, uma iniciativa voltada a expandir o suporte ao bem-estar psíquico nas periferias de São Paulo. O programa pretende selecionar dez grupos, coletivos ou organizações da sociedade civil que desenvolvam trabalhos de atendimento psicológico, formação profissional ou produção de conhecimento na área. O aporte total previsto é de R$ 2 milhões, reservando R$ 200 mil para cada iniciativa escolhida.
A seleção será conduzida em três fases distintas: a triagem inicial das propostas e planos de ação, seguida por rodadas de entrevistas e, por fim, uma avaliação criteriosa feita por um comitê de especialistas e representantes da fundação. Além do recurso financeiro, os selecionados passarão por um ciclo de fortalecimento institucional ao longo de três anos, com o intuito de garantir a sustentabilidade desses projetos e o impacto direto na comunidade. As atividades das organizações escolhidas devem ter início em 2027.
Interessados podem realizar as inscrições, que ficam abertas até o dia 31 de agosto de 2026, por meio da plataforma digital específica do edital. A participação está aberta a grupos com ou sem CNPJ, desde que operem dentro do estado de São Paulo. O anúncio dos resultados está programado para dezembro de 2026.
Desde que foi instituído em 2021, o projeto já injetou R$ 2,2 milhões em 17 organizações. Em sua segunda edição, a iniciativa contou ainda com uma campanha de matchfunding que somou quase R$ 600 mil. A continuidade desse investimento responde a uma lacuna percebida na rede de assistência pública, que, embora central no modelo do SUS, enfrenta dificuldades para absorver a complexa demanda das periferias frente aos sofrimentos gerados por desigualdades, violência e precariedade no trabalho.
A estratégia central do programa é reconhecer que as respostas mais eficazes a esses problemas muitas vezes emergem das bases locais. Ao fomentar coletivos que atuam na ponta, a fundação busca não apenas ampliar o alcance do cuidado, mas também contribuir para a estruturação das políticas públicas de saúde mental a longo prazo. O contexto reforça a urgência dessa pauta, especialmente considerando que, no Brasil, as licenças médicas por depressão e ansiedade tiveram um salto de 68% em 2024, enquanto a OMS estima que mais de 1 bilhão de pessoas enfrentem transtornos mentais em todo o mundo.












