Brasília (DF) – O mercado de medicamentos voltados ao controle da diabetes mellitus tipo 2 e da obesidade passa por uma mudança significativa. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária oficializou, nesta segunda-feira (17), o registro de duas novas opções injetáveis baseadas em semaglutida sintética. A medida marca a introdução oficial do primeiro medicamento genérico da categoria no Brasil, um passo que abre caminho para maior competitividade e possíveis quedas nos preços praticados ao consumidor final.
A novidade chega sob o selo da EMS, que já detinha desde maio o registro do Ozivy, a primeira semaglutida sintética aprovada no país. Diferente do medicamento de referência, a nova versão genérica não ostentará marca comercial, seguindo as normas rígidas de identificação previstas na legislação brasileira para este tipo de produto. Paralelamente, o laboratório Germed, que integra o mesmo grupo econômico, obteve autorização para um medicamento similar batizado de Semaclique. Diferente do genérico, este produto possui características próprias de embalagem e rotulagem, embora mantenha a eficácia clínica fundamentada no mesmo princípio ativo.
O uso da semaglutida exige cautela e rigor logístico. A Anvisa determinou que os novos fármacos, assim como seus precursores, devem ser conservados estritamente em refrigeração, sob temperaturas que variam de 2 °C a 8 °C, tanto antes quanto depois do início da utilização das doses. O tratamento, que ocorre via injeções semanais, deve obrigatoriamente estar atrelado à adoção de uma rotina de exercícios físicos e a uma dieta balanceada prescrita por profissionais de saúde.
A agência reguladora manteve a exigência de prescrição médica em duas vias para a compra desses fármacos, dada a classificação da semaglutida como um agente da classe GLP-1. O acompanhamento clínico é apontado como indispensável para garantir a segurança dos pacientes durante a terapia. Os registros aprovados contemplam diversas apresentações de sistemas de aplicação preenchidos, variando entre multidose e descartáveis, equipados com volumes de 1,5 ml ou 3 ml e quantidades distintas de agulhas para viabilizar o uso prolongado conforme a dosagem orientada pelo médico.
Esses lançamentos reforçam o movimento de expansão no acesso a terapias contra a obesidade e desordens glicêmicas, que ganharam popularidade nos últimos anos por meio das chamadas canetas emagrecedoras. Com a entrada de genéricos e similares, a expectativa do setor é que a barreira de preço, historicamente alta para esse perfil de medicação, torne-se menos restritiva, permitindo que um contingente maior de pacientes consiga aderir ao protocolo terapêutico de forma sustentável ao longo do tempo.











