Castelo (ES) – Um homem de 58 anos foi preso na última quinta-feira, dia 14, suspeito de assassinar Luciene Galdino, de 34 anos, em um crime que chocou a região de Castelo, no Espírito Santo. O que começou como uma investigação de desaparecimento, iniciada em 4 de janeiro deste ano, revelou uma trama de violência e tentativas de ocultação de cadáver. Luciene foi vista pela última vez ao sair em direção à casa do investigado, situada na comunidade de Monte Pio, e nunca mais retornou.
A investigação e a queda da mentira
O caso, que tramitou inicialmente na delegacia de Conceição do Castelo, onde a vítima morava, ganhou contornos mais graves quando os investigadores perceberam que o suspeito apresentava uma narrativa cheia de contradições. Ele insistia que a virada de ano transcorreu normalmente na companhia de Luciene e que, após uma discussão motivada por ciúmes, teria levado a namorada de volta para casa. O homem chegou a mencionar um episódio em que a mulher teria sacado uma faca contra ele, tentando construir um álibi de legítima defesa ou separação pacífica.
A realidade, porém, era outra. Imagens de câmeras de monitoramento e depoimentos de testemunhas provaram que o suspeito esteve sozinho na residência da vítima após o desaparecimento. Além disso, a quebra de sigilo de dados revelou que o celular de Luciene conectou-se pela última vez a uma torre próxima à casa do agressor. O acesso ao Facebook da vítima também foi feito através do sinal de wi-fi do imóvel dele, confirmando que ela jamais saiu do local com vida.
Perícia técnica e provas contundentes
O trabalho da Polícia Científica foi decisivo para desmantelar a versão do suspeito. O uso do luminol, conhecido como Blue Star, revelou manchas de sangue latente espalhadas pelo quarto do casal. O DNA encontrado no rejunte do piso do cômodo foi confrontado e confirmou a presença de Luciene. A frieza do crime também ficou evidente na casa da vítima, onde o homem havia deixado pertences pessoais dela, como mochila e acessórios, na tentativa de simular uma rotina que não existia mais. Esses objetos, curiosamente, também continham vestígios de sangue da mulher.
O ocultamento do corpo
Cerca de vinte dias após o sumiço, o corpo foi localizado em um lago de uma pedreira abandonada, na região de Itaoca Pedra, em Cachoeiro de Itapemirim. Luciene estava dentro de um saco agrícola, lastreada por duas pedras pesadas. Durante novas buscas na casa do suspeito, a equipe encontrou sacos idênticos aos utilizados para descartar o corpo, além de manchas de sangue em um dos seus veículos. A identificação foi um desafio técnico, superado pela odontologia legal que comparou a arcada dentária da vítima com registros de quando ela estava viva.
O investigado, que já possuía um histórico criminal extenso por crimes patrimoniais e havia saído da prisão em agosto do ano passado, agora responde por feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual. A prisão temporária é de 30 dias, prazo que pode ser estendido conforme a polícia busca identificar se houve participação de terceiros na ocultação do corpo. A investigação segue em curso, aguardando laudos complementares para encerrar todas as pontas soltas dessa tragédia.













