Colatina (ES) – A Polícia Civil do Espírito Santo encerrou na última sexta-feira, dia 15, um inquérito que mapeou uma tática criminosa audaciosa em Colatina. Moradores de diversos bairros da cidade vinham sofrendo com cortes propositais em seus cabos de internet, uma manobra articulada por uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas. O objetivo do grupo era claro, sufocar o serviço de operadoras regulares para forçar a população a contratar um sinal clandestino controlado pelos próprios criminosos.
A estrutura da quadrilha
As investigações revelaram que o esquema não era algo amador. O grupo operava com divisões de tarefas bem definidas, utilizando intimidação armada e o controle territorial típico de facções e milícias. A facção, identificada pelas autoridades como Tropa do Urso, tentava diversificar suas fontes de renda além do comércio ilícito de entorpecentes. O planejamento incluía desde a destruição física da infraestrutura de telecomunicações até ameaças diretas aos moradores que resistiam à imposição do novo serviço.
O delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, explicou durante uma coletiva de imprensa em Vitória, na última terça-feira, dia 19, que a reação das forças de segurança foi imediata. Assim que os primeiros relatos sobre a tentativa de expansão criminosa chegaram às autoridades no início deste ano, houve uma mobilização integrada entre as polícias Civil e Militar para impedir que esse modelo de exploração se consolidasse no estado.
Identificação e responsabilização
Dez pessoas foram identificadas como peças-chave nos atos de vandalismo e coação. Entre os nomes que ganharam destaque no inquérito está Hugo Henrique dos Santos, apontado como o responsável por ordenar a sabotagem das redes e por ameaçar clientes de operadoras legítimas por telefone. O superintendente de Polícia Regional Noroeste, Arthur Bogoni, ressaltou que, embora o grupo tenha destruído cabos e criado um clima de medo, o projeto de estruturar uma rede clandestina própria nunca chegou a ser concretizado.
Os indiciados agora respondem por crimes de dano, interrupção de serviço público de telefonia e participação em organização criminosa, além de ameaça no caso específico de Hugo. Parte dos envolvidos já foi detida, enquanto as equipes policiais mantêm diligências constantes para localizar os foragidos. A liderança da Tropa do Urso, que já possuía mandados de prisão em aberto por tráfico e homicídios, segue sendo o alvo principal das operações semanais deflagradas na região.
O papel do cidadão
A força-tarefa policial deixou um recado direto para a criminalidade: tentativas de controlar serviços públicos ou territórios urbanos serão combatidas com rigor absoluto. Para que esse trabalho continue sendo efetivo, a colaboração de quem vive nos bairros afetados é considerada indispensável. A orientação oficial é que qualquer movimentação suspeita, ameaça ou oferta de serviços clandestinos seja comunicada imediatamente pelo Disque-Denúncia 181.
O sigilo é garantido e as informações repassadas pela população servem como base para as operações que ocorrem semanalmente em Colatina. A expectativa das autoridades é que, com a identificação dos responsáveis e a continuidade das ações ostensivas, a tentativa de criar uma milícia voltada para o setor de telecomunicações seja completamente suprimida, garantindo que o direito de escolha dos consumidores locais seja preservado contra a imposição violenta de facções.













