Brasília (DF) – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou o mês de julho com alta de 0,07%, consolidando uma trajetória de desaceleração que já dura quatro meses. Com o resultado divulgado nesta terça-feira (11), o índice acumulado em 12 meses atingiu 4,44%. Este patamar recoloca o indicador dentro da meta estabelecida pelo governo, que prevê um centro de 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, situando o limite superior em 4,5%.
A marca registrada no mês passado é a menor desde agosto de 2025, quando o índice marcou 0,11%. O desempenho também se alinha com as projeções do mercado financeiro, que, por meio do boletim Focus do Banco Central, havia antecipado exatamente o mesmo percentual para o período. Em relação à difusão, o levantamento apontou que 50% dos 377 produtos e serviços monitorados sofreram reajustes, indicando uma pressão de preços equilibrada em metade da cesta de consumo.
O alívio na inflação de julho foi impulsionado sobretudo pelo grupo de alimentação e bebidas, que registrou deflação de 0,67%. Pelo segundo mês seguido, os itens consumidos no domicílio ficaram mais baratos, apresentando uma redução de 1,14%. O recuo foi puxado principalmente pelos tubérculos, raízes e legumes, que tiveram queda acentuada de 16,15%. Entre os destaques individuais estão o tomate, com redução de 29,09%, a batata-inglesa, com 19,59% a menos, e a cenoura, que caiu 14,41%.
Outro produto que chamou a atenção foi o café moído, com queda de 2,45% em julho. Em termos históricos, a trajetória deste item aponta para um declínio de 17,2% no acumulado de 12 meses, representando a maior redução para o produto desde a implementação do Plano Real, em 1994. Especialistas creditam essa maior oferta de alimentos a condições climáticas mais favoráveis, que permitiram uma colheita mais abundante no período recente.
Na contramão, o grupo de habitação exerceu a maior pressão de alta, com variação de 0,99% e impacto de 0,15 ponto percentual no índice geral. O principal responsável foi o custo da energia elétrica, que encareceu 3,09% devido a reajustes tarifários aplicados em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Contudo, a perspectiva para agosto é de redução nos gastos com luz, dado que os consumidores serão beneficiados pelo Bônus Itaipu, conforme autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica.
No setor de transportes, as passagens aéreas registraram um salto de 11,67%, figurando como o item de maior impacto individual de alta. Por outro lado, os combustíveis apresentaram comportamento inverso e ajudaram a segurar o índice, com recuo de 1,44%. Todos os itens da categoria — etanol, gasolina, óleo diesel e gás veicular — encerraram o mês com preços menores nos postos. A metodologia do IPCA reflete o custo de vida para famílias com rendas entre um e 40 salários mínimos, abrangendo capitais e regiões metropolitanas do país.












