Vila Velha (ES) – O custo de vida no Brasil apresentou uma desaceleração no mês de maio. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o termômetro oficial da inflação no país, fechou o período em 0,58%. O dado representa um recuo em relação aos 0,67% registrados em abril, evidenciando uma leve folga na pressão sobre os bolsos das famílias brasileiras. Se olharmos para o acumulado do ano, o índice agora marca uma alta de 3,20%, enquanto a variação nos últimos doze meses alcançou 4,72% — um patamar acima dos 4,39% observados no ciclo anterior.
A principal força por trás dessa moderação foi o comportamento dos combustíveis. O setor de Transportes viu seus preços recuarem 0,46%, impulsionado por quedas expressivas nos derivados de petróleo. A gasolina, em particular, exerceu o impacto negativo mais relevante sobre o indicador mensal, com uma retração de 1,46% em seus preços, contra a alta de 1,86% vista no mês anterior. Outros itens como o óleo diesel (-2,34%) e o etanol (-6,20%) seguiram a mesma tendência de baixa. Na contramão desse movimento, o gás veicular encareceu 5,81%, interrompendo a queda de 1,24% observada logo antes.
Essa dinâmica nos postos de combustíveis ocorre em meio a um cenário internacional de tensão. A instabilidade gerada por conflitos no Oriente Médio, notadamente as tensões entre Estados Unidos e Irã, criou um ambiente de incerteza global que pressiona as cotações das commodities. Para mitigar o impacto desse choque externo no cotidiano doméstico, o governo federal tem adotado uma série de medidas, como a subvenção do ICMS na importação do diesel, construída em conjunto com os estados, além da desoneração do tributo federal sobre o Querosene de Aviação.
Embora os combustíveis tenham dado um alívio, a inflação ainda encontrou resistência em outros segmentos. O grupo de Alimentação e Bebidas foi o protagonista das despesas, respondendo por metade do índice mensal. A alta no grupo foi de 1,33%, refletindo reajustes acentuados dentro de casa, onde a batata-inglesa saltou 44,69%, seguida de perto pelo tomate (20,62%) e pela cebola (16,80%). O consumo de carnes também pressionou o orçamento das famílias, com um aumento de 1,39%.
Outra dor de cabeça para o consumidor em maio foi a conta de luz. O grupo Habitação acelerou de 0,63% em abril para 1,22% no mês seguinte. O vilão aqui foi a energia elétrica residencial, que subiu 3,67%, tornando-se o impacto individual mais significativo sobre o IPCA de maio. Esse encarecimento foi provocado pela transição para a bandeira tarifária amarela, que adicionou R$ 1,885 a cada 100 kwh consumidos, somando-se a reajustes tarifários aplicados em diversas praças, como Aracaju, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte.
No recorte regional, a disparidade foi evidente. Aracaju e Campo Grande compartilharam as maiores taxas de inflação do país, ambas em 1,31%, impulsionadas fortemente pelo custo da energia residencial e do tomate. Já Curitiba registrou a menor pressão, ficando em 0,29%, um resultado beneficiado pelo recuo nos valores de licenciamento e emplacamento de veículos, além de uma queda mais acentuada na gasolina na capital paranaense.
O setor de Saúde e Cuidados Pessoais também não passou despercebido, com alta de 0,90%. O aumento foi puxado por itens de higiene pessoal, como perfumes, que subiram 4,42%, e pelo reajuste médio de 0,50% nos planos de saúde. No paralelo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a variação de preços para famílias com rendas menores, entre um e cinco salários mínimos, também mostrou moderação, subindo 0,65% em maio contra 0,81% em abril. O acumulado do INPC nos últimos doze meses ficou em 4,42%.
Com esses resultados na mesa, o país encerra um mês onde o alívio na bomba de combustível funcionou como uma válvula de escape frente ao aumento nos custos de alimentação e energia. A atenção agora se volta para os dados de junho, que dirão se a trajetória de arrefecimento do IPCA encontrará resistência em novos ajustes de tarifas ou se o controle sobre os preços dos combustíveis será suficiente para segurar o ímpeto inflacionário nos próximos meses.











