Vitória (ES) – O Espírito Santo entra no radar do Acordo de Parceria Mercosul–União Europeia com uma lista concreta: 31 oportunidades de exportação, mapeadas produto a produto, setor a setor. O levantamento sai da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a ApexBrasil, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — e não é um documento genérico. Foi desenhado para funcionar como bússola para o setor produtivo capixaba diante de um mercado de 722 milhões de consumidores e PIB somado de US$ 24,2 trilhões.
A base técnica do estudo está nos códigos tarifários internacionais SH6, usados para rastrear, com precisão, quais produtos ganham margem competitiva à medida que avança o cronograma de desgravação tarifária previsto no acordo. É a mesma lógica do Mapa de Oportunidades da ApexBrasil, aplicada agora ao caso específico do Espírito Santo: cruzar dados de comércio exterior com o calendário de redução de tarifas para apontar onde a chance de crescimento é real — não hipotética.
Café, siderurgia, mineração e energia aparecem como os pilares dessa lista. Não por acaso: são cadeias que já sustentam boa parte da economia capixaba e que, historicamente, encontram na Europa um comprador disposto a pagar por qualidade e origem certificada. A força agrícola do estado soma-se, assim, ao peso da indústria extrativa e de base — combinação que o próprio documento trata como vantagem estrutural do Espírito Santo frente a outros estados exportadores.
O estudo, porém, vai além de confirmar o óbvio. É também um convite — ou talvez um puxão de orelha disfarçado de recomendação — para que as empresas capixabas não se acomodem nos embarques tradicionais. A aposta está na agregação de valor: transformar matéria-prima em produto de maior sofisticação antes de cruzar o Atlântico, aproveitando a queda progressiva das tarifas para conquistar espaço em cadeias globais de valor que hoje ainda escapam ao estado.
Fica a pergunta que o próprio relatório não responde: quantas dessas 31 oportunidades vão sair do papel nos próximos anos? A resposta depende menos do acordo em si e mais da capacidade do setor produtivo capixaba de se mover rápido — porque, no comércio internacional, quem espera as janelas se fecharem raramente é o primeiro a entrar.











