Colatina (ES) – O cenário da pecuária nordestina mudou de patamar nos primeiros três meses deste ano. Entre janeiro e março, a região enviou para o mercado externo 9,4 mil toneladas de carne bovina, um salto expressivo de 51,38% na comparação com o mesmo período de 2025. O número deixa o Nordeste em uma posição de destaque, visto que o crescimento médio de todo o território brasileiro no setor foi de 17%.
A força dos estados
O avanço não ocorreu de forma isolada. Pernambuco liderou a corrida regional com um crescimento de 124% nas exportações, seguido de perto pela Bahia, que registrou 65%. O Ceará também contribuiu com uma alta de 42%, enquanto o Maranhão avançou 30%. Esse resultado é reflexo direto de melhorias sanitárias e da habilitação de novas plantas frigoríficas, que abriram portas para uma rede mais ampla de destinos comerciais.
Paralelamente, a produção interna também sentiu o impacto positivo. O volume de abate no Nordeste cresceu 2,96% em relação a 2025. Essa expansão é sustentada pelo uso mais intenso de tecnologia, pela maior integração com as regiões produtoras de grãos e pela adoção de sistemas de criação semi-intensivos e intensivos.
Desafios de um mercado global
Embora os números sejam positivos, o setor atravessa um período de transição complexo. Desde o ano passado, a pecuária nacional lida com a reversão do ciclo pecuário, marcada pela retenção de fêmeas e uma redução gradual na oferta, o que pressiona a valorização do boi gordo. A pesquisadora Kamilla Ribas Soares alerta que o ambiente externo permanece instável. Conflitos geopolíticos e novas barreiras tarifárias exigem que o Brasil diversifique seus compradores e busque agregar valor aos seus produtos.
Mesmo com uma previsão de queda de quase 2% no abate para 2026, o Brasil segue firme na liderança mundial, devendo alcançar a marca de 12,4 milhões de toneladas — o que equivale a 20% de toda a produção global.
O papel do financiamento
O suporte financeiro tem sido um braço importante para essa escalada. Entre 2020 e março de 2026, foram injetados quase R$ 26 bilhões na bovinocultura de corte regional, com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Só em 2025, o investimento alcançou cerca de R$ 6 bilhões, com foco concentrado no Semiárido, que recebeu 61% do montante total.











