São Paulo (SP) – O mercado financeiro viveu uma quinta-feira (5) de forte instabilidade. O dólar comercial encerrou o dia com valorização de 0,67%, cotado a R$ 5,4876, sob a influência direta de um movimento global de aversão ao risco. Paralelamente, o Ibovespa não sustentou o otimismo inicial e fechou em queda de 0,82%, situando-se em 166.191,45 pontos, com um volume financeiro que atingiu R$ 31,16 bilhões.
O gatilho para a volatilidade veio de Wall Street. Os principais índices norte-americanos registraram perdas acentuadas, com o Nasdaq recuando 5,52%, o S&P 500 caindo 4,36% e o Dow Jones perdendo 3,44%. O epicentro da crise foi o setor de tecnologia, especialmente as empresas ligadas à inteligência artificial, semicondutores e datacenters. O mercado reagiu com pessimismo a incertezas sobre investimentos no segmento e possíveis mudanças regulatórias após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
Essa deterioração externa forçou uma fuga de capitais de ativos de risco, com investidores buscando a segurança do dólar, o que elevou o índice DXY em 0,09%, chegando a 101,560 pontos. No Brasil, o cenário doméstico também trouxe elementos de cautela. A divulgação de dados da produção industrial brasileira, que apresentou retração de 0,8% em setembro ante agosto e queda de 2,5% na comparação anual, serviu como pano de fundo para a movimentação dos investidores.
A política econômica do governo Lula foi o foco das atenções internas. O presidente reuniu-se com ministros, ex-ministros e conselheiros para discutir os rumos do país. Após o encontro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou o compromisso com a sustentabilidade das contas públicas e a busca pela melhora dos resultados primários, embora não tenha detalhado novas medidas concretas. Essa sinalização de busca por convergência foi acompanhada de perto pelo mercado, que ainda processava a decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo uma trajetória de cinco cortes sucessivos.
O Ibovespa, que chegou a flertar com os 169 mil pontos no início do pregão, perdendo força ao longo da tarde, refletiu a pressão vinda do exterior. As incertezas sobre a agenda fiscal e os resultados corporativos também influenciaram o comportamento dos investidores, que adotaram uma postura defensiva. O índice atingiu a mínima do dia em 166.249,09 pontos, confirmando o viés de cautela que dominou os negócios até o fechamento da sessão.











