Brasília (DF) – O desempenho da indústria nacional voltou a frustrar as projeções dos agentes financeiros ao registrar um recuo de 0,8% na passagem de agosto para setembro. O resultado, consolidado na Pesquisa Industrial Mensal, não é um fato isolado, mas a confirmação de uma tendência de retração: trata-se da quarta queda observada pelo setor em um intervalo de apenas cinco meses. O dado, que ficou abaixo da mediana das expectativas de mercado — que estimava um recuo de 0,4% —, reflete uma perda de fôlego persistente.
O impacto desse movimento de baixa é sensível. Nos últimos cinco meses, a indústria acumulou uma perda de 4,1%, o que praticamente anula o avanço de 4,2% registrado logo no início do ano. Embora o acumulado de 12 meses ainda mostre uma variação positiva de 0,2%, especialistas alertam para uma clara redução na magnitude do crescimento. Atualmente, o parque fabril brasileiro opera em um patamar 16,5% inferior ao seu auge, alcançado em maio de 2011.
A fragilidade da produção em setembro foi marcada por um perfil de quedas disseminadas, atingindo 17 das 25 atividades pesquisadas. Ao analisar as grandes categorias econômicas, o setor de bens de capital, focado em máquinas e equipamentos, liderou as perdas com retração de 1,9%. Na sequência, bens de consumo semi e não duráveis caíram 1,2%, enquanto os bens intermediários, cruciais para a cadeia produtiva, recuaram 0,7%. A única exceção foi o segmento de bens de consumo duráveis, que avançou 0,7% no período.
Entre os segmentos que mais pesaram no resultado negativo estão o de coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis, com queda de 4,2%, e o de produtos alimentícios, com retração de 1,7%. Dentro deste último, a produção de álcool etílico e açúcar foi decisiva para o desfecho desfavorável. O recuo nessas atividades é atribuído, em grande parte, à diminuição no processamento da cana-de-açúcar, um efeito direto do maior volume de chuvas registrado recentemente.
Na contramão dessa tendência, a indústria extrativa conseguiu se sustentar como o principal vetor positivo, apresentando um crescimento de 1,7%. O desempenho favorável nesse nicho foi impulsionado pela intensificação na extração de óleos brutos de petróleo, gás natural e minério de ferro, que impediram uma queda ainda mais acentuada no índice geral.
Ao comparar os resultados com o mesmo mês do ano anterior, o recuo é ainda mais severo: 2,5%, marcando a queda mais intensa desde março de 2024. O fenômeno é justificado, em partes, por fatores técnicos, como a existência de um dia útil a menos no calendário de setembro deste ano e a comparação com uma base elevada de 2025, quando o setor havia avançado 2%.












