Brasília (DF) – O temor de novas barreiras tarifárias aos produtos brasileiros uniu vozes influentes do setor industrial. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), em conjunto com a Amcham e a U.S. Chamber, oficializou um pedido para que os governos de Brasília e Washington priorizem a manutenção de um fluxo comercial fluido. A movimentação ocorre em um momento sensível das relações bilaterais, marcado pelo desdobramento das investigações baseadas na Seção 301 da legislação americana, tema que ganhou fôlego após o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em maio passado.
O documento, articulado pelas três entidades, foi endereçado a figuras centrais da política externa e econômica de ambas as nações. Entre os destinatários, estão o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, e o chanceler Mauro Vieira. Pelo lado americano, a carta foi entregue ao representante de Comércio, embaixador Jamieson Greer, e ao secretário de Estado, Marco Rubio.
A estratégia desenhada pelo setor privado propõe um cronograma dividido em duas frentes de atuação. O objetivo imediato é claro: contornar a investigação da Seção 301 antes que restrições tarifárias punitivas se concretizem sobre bens brasileiros. Superada essa etapa, o plano detalha medidas de longo prazo que buscam solidificar a parceria econômica.
Para sustentar a agenda de curto prazo, o setor privado elencou áreas que consideram vitais para a dinâmica comercial. O foco recai sobre a ampliação do acesso a mercados específicos, com ênfase em insumos industriais, bens de capital e tecnologias essenciais para o desenvolvimento de infraestrutura de inteligência artificial e data centers, além da segurança energética.
A proposta também toca em pontos delicados da burocracia comercial. Há um pleito explícito por maior cooperação regulatória, que beneficiaria diretamente os setores automotivo, farmacêutico e de dispositivos médicos. Paralelamente, as entidades pressionam pelo apoio à extensão da moratória da OMC sobre a isenção de impostos em transmissões eletrônicas, garantindo previsibilidade ao comércio digital.
A agenda não se limita ao movimento de mercadorias. O setor privado brasileiro e americano defende que o Brasil acelere o exame de pedidos de patente — especialmente nas áreas de saúde e biofarmacêutica — e intensifique o combate à pirataria e à contrafação como contrapartida para um ambiente de negócios mais seguro.
Por fim, a carta aborda a cooperação estratégica em minerais críticos. A ideia é estabelecer um mapeamento geológico conjunto e promover investimentos em processamento, garantindo cadeias de suprimento resilientes e seguras. O compromisso com o Protocolo Anticorrupção do Acordo de Cooperação Econômica e Comercial (ATEC) completa o conjunto de demandas. A expectativa agora é saber como as chancelarias reagirão ao plano antes que o cronograma punitivo da Seção 301 imponha uma nova realidade ao intercâmbio entre os países.













