Vitória (ES) – O monitoramento climático atual indica uma probabilidade de 90% para a manutenção do fenômeno Super El Niño ao menos até o início de 2027. O alerta consta em um boletim técnico divulgado neste mês de junho, que reúne dados de órgãos nacionais especializados em meteorologia, gestão de recursos hídricos e prevenção de desastres naturais.
A anomalia, identificada originalmente em junho, demonstra um comportamento preocupante. Entre a primavera e o verão, a estimativa é que a temperatura das águas do Oceano Pacífico supere a média histórica em mais de dois graus Celsius. Ronaldo Christofoletti, pesquisador do Instituto do Mar da UNIFESP, aponta que o evento atingiu um patamar de aquecimento próximo aos três graus. A classificação como super justifica-se pela intensidade atípica do aquecimento oceânico, algo que não ocorria há anos.
Para o inverno, que compreende o período entre julho e setembro, o cenário desenhado pelos especialistas prevê chuvas acima do normal no extremo sul do Brasil, enquanto o centro-norte enfrentará um regime de precipitações deficitário. O segundo semestre traz, ainda, uma ameaça real de ondas de calor e focos de incêndio, concentrados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
O mapa da seca já apresenta níveis entre moderados e severos no Tocantins, Pará, Amazonas, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. Existe uma preocupação imediata quanto à estiagem prolongada na Amazônia, o que impediria a recomposição dos níveis hídricos dos rios. Os impactos econômicos e sociais já são mapeados: o setor agropecuário, especificamente a agricultura familiar e os ciclos de cultivo longos, deve sofrer com a falta de umidade no solo e a escassez de água disponível.
Se por um lado o Norte e o Centro-Oeste enfrentam o fantasma da seca, o Sudeste e o Sul precisam se preparar para outros problemas. Com a previsão de um volume de chuvas acima da média nessas áreas, o sistema de saúde deve ficar em alerta para o aumento da incidência de doenças. A ciência confirma que a força do fenômeno climático será proporcional à gravidade de seus efeitos, exigindo atenção constante das autoridades e monitoramento rigoroso das condições do solo e da atmosfera nos próximos anos.












