Caracas, Venezuela – O cenário de devastação provocado pelos terremotos que atingiram o centro-norte da Venezuela no final de junho forçou o governo a buscar alternativas emergenciais para custear a reconstrução. A presidente interina, Delci Rodrigues, iniciou tratativas junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) visando o descongelamento de ativos que seriam vitais para o suporte social e a recuperação da infraestrutura básica nas regiões afetadas.
A movimentação foi confirmada pela porta-voz do FMI, Julie Kozack. Em declaração pública, ela afirmou que o órgão mantém comunicação direta com as autoridades venezuelanas e avalia, em conjunto com outras instituições financeiras, a real dimensão dos danos econômicos decorrentes da tragédia. A diretora-geral do Fundo chegou a conversar pessoalmente com Rodrigues ao longo da semana para definir possíveis caminhos de assistência. Em 8 de julho, o saldo disponível em fundos vinculados ao país girava em torno de 350 milhões de dólares — cifra que, em conversão direta, ultrapassa a marca de 1,7 bilhão de reais.
O esforço por liquidez não se limita ao FMI. O governo venezuelano formalizou um pedido ao Reino Unido solicitando a liberação do ouro estocado pelo Banco da Inglaterra. A justificativa oficial é que o metal, guardado em cofres britânicos, é indispensável para viabilizar o socorro às populações atingidas pelos sismos.
Paralelamente à diplomacia financeira, a ajuda humanitária internacional ganha fôlego através do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). A entidade está à frente de uma campanha que busca angariar 70 milhões de reais para o atendimento imediato das vítimas. A urgência da situação reflete a escala do desastre: dados oficiais do governo e do parlamento venezuelanos indicam que o número de mortes já supera 3,9 mil.
A incerteza sobre o paradeiro de sobreviventes gerou uma resposta da sociedade civil. Grupos de cidadãos organizaram um portal independente, o desaparecidosterremotovenezuela.com, para centralizar informações sobre quem ainda não foi localizado. De acordo com as estatísticas do site, a lista de pessoas procuradas por familiares e amigos alcança a marca de 44 mil indivíduos. A busca por esses desaparecidos, somada à escassez de recursos, impõe um desafio logístico e financeiro sem precedentes ao país, que tenta, sob pressão, reverter o isolamento de seus ativos no exterior para garantir o atendimento básico aos sobreviventes.









