Ormara, Paquistão – As buscas realizadas no litoral paquistanês confirmaram na quarta-feira a localização dos destroços de um Boeing 737. A aeronave de carga, que pertencia à K2 Airways, havia desaparecido dos radares cerca de 12 horas antes, enquanto sobrevoava a costa de Karachi. Agora, a prioridade absoluta das autoridades é encontrar os cinco integrantes da tripulação que estavam a bordo.
O ponto exato da queda foi identificado a 53 milhas náuticas, aproximadamente 98 quilômetros, ao sul do porto de Ormara. Para a missão de resgate, a Marinha do Paquistão e a Agência de Segurança Marítima destacaram diversos meios aéreos e embarcações. O esforço foi determinado pelo primeiro-ministro Shehbaz Sharif, que, apesar de ter manifestado condolências às famílias, mantém as operações de busca em andamento sem declarações oficiais sobre o estado dos tripulantes — dois pilotos, dois engenheiros e um auxiliar.
O sinal de alerta surgiu por volta das 21h18 no horário local, quando a tripulação reportou uma falha no sistema de navegação. A partir daí, o que se seguiu foi uma sucessão de manobras erráticas. Dados do serviço de rastreamento Flightradar24 indicam que o cargueiro, com 27 anos de uso, enfrentou mudanças bruscas de altitude e instabilidade técnica. A comunicação com o controle de tráfego aéreo foi interrompida apenas três minutos após o primeiro reporte, quando a aeronave estava a 155 milhas náuticas de distância de seu destino em Karachi.
Os registros digitais do voo descrevem um cenário caótico antes do mergulho final. Em um intervalo de menos de um minuto, o Boeing 737-400 perdeu 5.000 pés, seguidos por uma subida súbita de 6.000 pés em apenas 30 segundos. O desfecho trágico ocorreu a partir de 36.550 pés, com a aeronave atingindo uma razão de descida vertical de 22.400 pés por minuto — o que equivale a uma velocidade de queda de aproximadamente 400 quilômetros por hora.
A aeronave envolvida no acidente, um modelo convertido para transporte de carga em 2012, integrava a frota da K2 Airways apenas desde o início de 2024. Originalmente entregue à russa Aeroflot em 1999, o avião operava com motores da CFM International. Até o momento, a Boeing não comentou o incidente.
Este desaparecimento evoca memórias difíceis para a aviação paquistanesa. Caso se confirme a fatalidade, este será o primeiro acidente aéreo com mortes registrado no país desde 2020, quando uma aeronave da Pakistan International Airlines colidiu nos arredores de Karachi, resultando na perda de 97 vidas. Enquanto as buscas prosseguem em mar aberto, a expectativa por respostas sobre a pane no sistema de navegação permanece o foco central da investigação conduzida pela Autoridade de Aviação Civil.










