Estreito de Ormuz, Irã – O Estreito de Ormuz, ponto nevrálgico do comércio mundial de energia, registrou nos últimos dias uma queda sensível no volume de embarcações que cruzam a via. A mudança no cenário logístico reflete a crescente insegurança na região do Oriente Médio, marcada por ataques a navios comerciais atribuídos ao Irã e pelas subsequentes ações retaliatórias conduzidas pelos Estados Unidos.
Apesar da saída de 22 embarcações vinculadas ao Japão desde a última terça-feira, o fluxo geral de transporte marítimo perdeu força. Informações de mercado indicam que o tráfego diário de navios-tanque de GLP e petróleo atingiu na quinta-feira o menor patamar desde 28 de junho. Na ocasião, apenas dez navios realizaram a travessia, um recuo acentuado se comparado aos 14 registrados na quarta-feira e aos 22 observados na segunda-feira.
No radar das companhias de navegação, ao menos cinco navios-tanque de GLP descarregados adentraram o estreito recentemente. Entre as unidades identificadas estão o GasLog Shanghai, sob controle da grega GasLog, e quatro embarcações ligadas à QatarEnergy: Al Samriya, Al Dafna, Al Gattara e Al Rayyan. Enquanto o GasLog Shanghai e o Al Rayyan teriam ingressado na rota durante a madrugada, as outras embarcações ligadas ao Catar foram localizadas por monitoramento satelital na costa oeste da Índia nas semanas anteriores.
O movimento de grandes cargueiros também apresenta sinais de incerteza. O superpetroleiro Nissos Kea ingressou no estreito na quinta-feira, mesmo dia em que o Lila Vadinar deixou a região. Procuradas para comentar a situação, a QatarEnergy e a GasLog não retornaram os pedidos de posicionamento fora do horário comercial.
A estratégia de navegação parece estar mudando diante da ofensiva iraniana. Especialistas apontam que a natureza dos alvos sofreu uma alteração tática importante: o Irã passou a concentrar suas investidas em navios que utilizam a rota de Omã, abandonando a postura anterior de mirar em qualquer embarcação que cruzasse o canal. Essa mudança obriga as operadoras a reavaliarem seus trajetos, optando, em muitos casos, pela rota iraniana ou buscando cruzar o estreito de forma mais discreta.
Essa necessidade de cautela tem provocado um efeito colateral na visibilidade das rotas. Fontes do setor relatam que um número crescente de comandantes tem optado por desligar os transponders públicos de rastreamento. A prática, embora proteja as embarcações de possíveis alvos, cria uma “zona de sombra” que dificulta a visualização precisa do tráfego real no estreito. O que era uma rota rotineira de comércio internacional tornou-se, nos últimos dias, um exercício de sobrevivência e silêncio nas águas do Golfo.







