Brasília (DF) – Pequenos produtores rurais e criadores de peixes de todo o país terão acesso a um robusto pacote de recursos voltado à modernização tecnológica de suas atividades. Na terça-feira (30), foram lançados dois editais públicos que somam R$ 220 milhões destinados ao desenvolvimento de soluções inovadoras para a agricultura familiar e a aquicultura brasileiras. O fomento faz parte do programa CooperaMais Brasil Tecnologia, uma vertente do Plano Safra dedicada a este segmento.
A regra central para disputar os recursos é a cooperação. Os proponentes interessados nos editais precisam obrigatoriamente construir suas propostas em parceria direta com cooperativas de agricultura familiar ou de aquicultura já estabelecidas. Essa exigência tenta encurtar o caminho entre a pesquisa de ponta e quem efetivamente lida com a terra e com a água no dia a dia.
A divisão do dinheiro atende a duas frentes complementares de desenvolvimento. A primeira linha, que conta com R$ 100 milhões, foca nas Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs). Esse montante deve financiar projetos de transferência de tecnologia, capacitação profissional, extensão rural e desenvolvimento de soluções integradas. A meta é criar caminhos que melhorem a rotina produtiva a partir de conhecimento acadêmico aplicado.
A segunda vertente destina R$ 120 milhões diretamente para o setor empresarial. Aqui, o foco é a escala industrial: o desenvolvimento de máquinas, implementos agrícolas e insumos específicos de pequeno porte. São equipamentos projetados sob medida para as necessidades das pequenas propriedades, como minitratores e maquinários compactos para o plantio e colheita de culturas essenciais da base familiar. Todos os critérios de participação e a íntegra das chamadas públicas serão disponibilizados no portal da Finep.
A iniciativa desenha um esforço conjunto na Esplanada dos Ministérios. Trata-se de uma política pública coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), executada em sintonia com os ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Pesca e Aquicultura (MPA) e da Fazenda. O presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, aponta que a inovação passa a ser vista não como um luxo acessível a poucos, mas como ferramenta permanente de emancipação dos trabalhadores. O objetivo principal do programa é disseminar tecnologias que elevem a produtividade, garantam a segurança alimentar e agreguem valor comercial ao que é colhido pelas famílias.
Esse investimento em inovação caminha em paralelo com um ciclo mais robusto de apoio estatal ao pequeno produtor. O Plano Safra da Agricultura Familiar para o biênio 2026/2027 prevê injetar R$ 97,3 bilhões na atividade rural, divididos entre programas de crédito, seguros agrícolas, compras públicas e assistência técnica no campo. O motor desse ecossistema financeiro é o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que receberá R$ 85,2 bilhões desse montante — o que representa um crescimento de quase 9% no volume de crédito disponível na comparação com o ciclo agrícola anterior.











