Iúna (ES) – O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, sinalizou uma virada diplomática significativa neste sábado (13). Por meio de declarações públicas, o chefe de governo indicou que o aguardado acordo de paz entre Estados Unidos e Irã está prestes a ser oficializado, possivelmente no intervalo de apenas 24 horas. O procedimento, segundo Sharif, deve ser conduzido de forma eletrônica, pavimentando o caminho para uma rodada de encontros técnicos agendada para os próximos dias.
A expectativa de um desfecho positivo ganhou fôlego na sexta-feira (12), quando o premiê paquistanês assegurou que o texto final havia atingido um consenso. Sharif aproveitou para criticar o que classificou como campanhas deliberadas de desinformação, que teriam tentado minar o diálogo entre as nações durante o processo de negociação.
Contudo, a velocidade do anúncio paquistanês colide com a postura mais contida de Teerã. Esmaïl Baghaï, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, tratou de ajustar a perspectiva em uma coletiva de imprensa realizada também neste sábado. O diplomata refutou a ideia de uma assinatura imediata para este domingo, preferindo sinalizar que o compromisso pode ser ratificado em algum momento dos dias seguintes. Baghaï enfatizou que o memorando em pauta limita-se estritamente ao encerramento das hostilidades, mantendo o delicado tema da energia nuclear fora das tratativas.
Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, evitou alimentar o otimismo excessivo. Na sexta-feira, ele afirmou que o chamado Memorando de Entendimento de Islamabad nunca esteve tão próximo de se concretizar, mas pediu que a imprensa evitasse especulações. Para Araghchi, os detalhes operacionais deverão ser revelados apenas no momento oportuno.
O cenário de tensão, que teve início em 28 de fevereiro com o começo do conflito armado envolvendo Estados Unidos e Israel, parece agora buscar uma saída diplomática sustentada pelo Paquistão. Desde a implementação do cessar-fogo no início de abril, o país tem atuado como mediador central para frear as hostilidades de forma definitiva.
A instabilidade nas comunicações tem sido uma constante ao longo desta crise. Há dois dias, o presidente norte-americano, Donald Trump, declarou publicamente que o documento havia recebido o aval da cúpula iraniana e de outros atores internacionais, levando-o a cancelar ataques que já estavam planejados. Entretanto, tais afirmações foram seguidas por sucessivas negativas do lado iraniano.
A discrepância entre o tom otimista vindo de Islamabad e a cautela técnica de Teerã coloca o mundo em expectativa. A pergunta que resta, enquanto as horas passam, é se a assinatura eletrônica conseguirá, enfim, estabilizar a região após meses de confrontos e incertezas políticas.









